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Brasil registra mais de 1,5 mil vítimas de feminicídio em 2025 e especialistas apontam falhas na prevenção

Dados mostram crescimento dos casos no país e reforçam debate sobre educação, políticas públicas e aplicação das leis de proteção às mulheres.

08/03/2026 02h38
Por: F. Silva Fonte: Portal R7
Brasil registra mais de 1,5 mil vítimas de feminicídio em 2025 e especialistas apontam falhas na prevenção

O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta semana. O número representa um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021, evidenciando o aumento da violência contra mulheres no país.

Outro dado alarmante aponta que, desde a publicação da lei que tipifica o crime de feminicídio, em 2015, o Brasil perdeu 13.703 mulheres, todas vítimas desse tipo de violência. O aumento dos casos ocorre em meio a recentes ocorrências de violência, como assassinatos e estupros, que voltaram a expor fragilidades na proteção de pessoas do sexo feminino.

Para especialistas ouvidas pelo R7, embora o Brasil possua normas federais importantes, como a Lei Maria da Penha, a efetividade dessas regras ainda enfrenta problemas estruturais. Entre eles estão a falta de educação preventiva, além da dificuldade de integração entre instituições públicas responsáveis pela prevenção de casos e pelo atendimento às vítimas.

Para Francileide Araújo, coordenadora de Prevenção à Violência Baseada em Gênero e Raça do Governo da Bahia, uma das principais lacunas está na fragilidade das políticas educativas voltadas ao combate da violência contra a mulher.

Segundo ela, a Lei Maria da Penha representou um marco importante ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e também ao prever estratégias de prevenção, principalmente por meio de programas educativos e ações de conscientização voltadas à sociedade.

No entanto, muitas dessas iniciativas acabaram enfraquecidas no Brasil entre 2016 e 2022, de acordo com a especialista. Nesse período, debates sobre gênero e sexualidade nas escolas passaram a ser alvo de polêmicas em diversas unidades da Federação, o que acabou afetando a proteção de mulheres e crianças.

De acordo com Francileide, temas fundamentais para a compreensão das desigualdades, do consentimento e do respeito deixaram de ser discutidos de forma sistemática nos espaços escolares. Sem esse debate, torna-se mais difícil enfrentar as raízes culturais da violência e promover mudanças sociais duradouras.

A especialista também destaca que a prevenção à violência depende da formação adequada dos profissionais que integram a rede de atendimento, como professores, profissionais da saúde, assistentes sociais, policiais e integrantes do Judiciário.

Segundo Francileide, a capacitação contínua desses profissionais é fundamental para identificar sinais de violência de forma precoce, acolher vítimas de maneira qualificada e articular respostas institucionais rápidas diante de casos de agressão.

Francileide também ressalta que campanhas públicas e ações comunitárias têm papel importante no questionamento de normas sociais que acabam naturalizando a violência contra meninas e mulheres.

Para a socióloga Silvia Guayaná-Muiramomi, casos recentes de feminicídio que tiveram grande repercussão nacional demonstraram uma execução ineficiente das políticas de proteção existentes no país.

Segundo Silvia, ainda há despreparo de agentes de segurança pública para acolher vítimas, garantir proteção e identificar riscos iminentes. A socióloga afirma que muitos agressores se aproveitam dessa falta de resposta imediata, deixando mulheres, mesmo com medidas protetivas, em situação de vulnerabilidade.

Silvia acredita que a dificuldade em evitar novos casos de violência não está apenas nas leis, mas também na forma como elas são aplicadas. Para ela, apesar de o Brasil possuir uma legislação avançada, é necessário ampliar a abordagem social sobre a temática de gênero.

A socióloga compara essa realidade com as políticas públicas voltadas a crianças e idosos, que contam com mecanismos legais baseados na corresponsabilidade entre família, comunidade e Estado, como ocorre no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Estatuto do Idoso.

Segundo Silvia, atualmente a violência contra a mulher ainda é tratada como um problema pontual. Embora a Lei Maria da Penha preveja a punição do agressor, ainda falta um sistema integrado que envolva diferentes corresponsáveis e promova uma mudança social mais profunda no combate à violência de gênero.

Da Redação.

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