O líder do governo na Assembleia Legislativa, Rosemberg Pinto (PT), reagiu à declaração de ACM Neto sobre a Bahia ser “um estado rico com um povo pobre” com críticas diretas. “A frase pode até soar como novidade, mas é, na prática, a descrição de um modelo que o próprio grupo político dele ajudou a consolidar”, afirmou.
Segundo Rosemberg, a desigualdade no estado não surgiu por acaso e foi aprofundada em períodos de forte concentração de poder, como no ciclo de Antônio Carlos Magalhães, avô do ex-prefeito de Salvador. “Não houve distribuição de renda e a prioridade era para poucos. Isso deixou marcas profundas, sobretudo fora da capital”, disse.
Para o deputado, o discurso atual ignora esse histórico. “Não dá para apontar o problema sem reconhecer a origem. A desigualdade na Bahia tem raízes políticas claras e o grupo de ACM Neto contribuiu muito para isso”, acrescentou.
Ao comentar a passagem de ACM Neto pela prefeitura de Salvador, Rosemberg foi enfático ao questionar os resultados sociais. “A renda não avançou como poderia e a desigualdade urbana permaneceu alta”, avaliou.
Ele lembra que Salvador perdeu espaço relativo entre as capitais do Nordeste. “Isso mostra que gestão fiscal, sozinha, não resolve. É preciso política pública voltada para inclusão e desenvolvimento”, afirmou.
Em contraponto, Rosemberg destaca que, desde 2007, os governos do PT no estado adotaram uma estratégia diferente, com foco na interiorização do desenvolvimento. Ele cita a expansão de universidades e institutos federais, a ampliação do ensino técnico e programas de acesso à água e energia no semiárido.
Também menciona políticas habitacionais e de inclusão produtiva que, segundo ele, ajudaram a reduzir a pobreza extrema e ampliar o acesso a serviços básicos. “Não é discurso, são ações concretas que mudaram a vida de muita gente no interior”, disse.
O líder petista afirmou que o debate precisa ir além de frases de impacto. “Reconhecer o problema é fácil. Difícil é admitir quem ajudou a criá-lo e quem, de fato, tem trabalhado para enfrentá-lo”, concluiu.
Da redação do 40 Graus.
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