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Política Novo empréstimo

Prefeitura de Barreiras sinaliza um novo pedido de empréstimo para concluir o Hospital Municipal Edsonnina e reacende o debate sobre o endividamento do município

O discurso atribuído ao prefeito Otoniel Teixeira, lido pelo vice-prefeito Túlio Viana na Câmara, levanta novamente questionamentos sobre a dívida pública colossal de Barreiras.

05/02/2026 11h20 Atualizada há 3 meses atrás
Por: F. Silva Fonte: Da Redação do 40 Graus/You tube da Câmara
Prefeitura de Barreiras sinaliza um novo pedido de empréstimo para concluir o Hospital Municipal Edsonnina e reacende o debate sobre o endividamento do município

A possibilidade de um novo empréstimo para o município de Barreiras voltou ao centro do debate político local. Desta vez, trata-se do primeiro empréstimo da atual gestão do prefeito Otoniel Teixeira, ainda que o pedido não tenha sido formalmente encaminhado aos vereadores.

Durante a sessão realizada na Câmara Municipal de Barreiras, nessa terça, 3 de fevereiro, o vice-prefeito e procurador do município, Túlio Viana, leu um discurso previamente preparado por Otoniel, no qual, de forma cuidadosa e em tom conciliador - o Executivo sinalizou a necessidade de contratar crédito para, supostamente, concluir o Hospital Municipal de Barreiras, o Edsonnina.

Segundo o discurso, o município necessita de mais recursos para fortalecer os serviços de saúde. No entanto, a iniciativa levanta questionamentos relevantes, sobretudo diante do alto nível de endividamento já existente, que se aproxima de quase um bilhão de reais, e da possibilidade de que, após concluído com recursos públicos, o hospital venha a ser administrado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), o que pode restringir parte dos serviços para o povo.

Críticos apontam que, nesse modelo, o povo paga a conta da construção por meio de impostos, mas pode não ter acesso integral aos serviços oferecidos. A preocupação aumenta diante da projeção de que, com o novo empréstimo, Barreiras possa ultrapassar a marca de um bilhão de reais em dívidas.

Durante a leitura do discurso, Túlio Viana afirmou que o Hospital Edsonnina é uma das maiores obras do oeste baiano, iniciada ainda na gestão do ex-prefeito Zito Barbosa, e que ele e Otoniel têm a responsabilidade de concluí-la.

O vice-prefeito reconheceu que a obra não pode permanecer parada, mas o questionamento central permanece: a única alternativa é recorrer a mais um empréstimo para a o povo pagar?

Túlio descreveu o projeto como um “hospital grandioso”, embora possamos ressaltar que a real dimensão da obra só poderá ser avaliada após sua entrega e funcionamento efetivo.

Também surgem dúvidas se o valor solicitado será suficiente para a conclusão ou se, em poucos meses, a gestão voltará a solicitar novos financiamentos.

O discurso do vice-prefeito também trouxe críticas indiretas ao passado administrativo do município, ao mencionar períodos em que Barreiras enfrentava supostos atrasos salariais, inadimplência com fornecedores, ruas escuras, buracos e falta de perspectivas - faltou apenas mencionar uma saúde muito criticada nas duas últimas gestões, que foi de Zito Barbosa, e que Túlio afirma ser o governo de Otoniel uma "continuação do governo de Zito" - Faz sentido...

Um ponto sensível na administração passada, a de Zito Barbosa, foi justamente o impedimento - pelo Legislativo Barreirense, e pelo Judiciário, de contair um empréstimo que supostamentamente seria aplicado no Hospital Edsonnina - e isso num período eleitoral.

Em tom aparentemente irônico, Túlio afirmou em alto e "bom som" que, em Barreiras, o ato de falar em empréstimo parece ser tratado como crime - de fato, contrair empréstimos não é ilegal, desde que dentro da lei, mas a discussão vai além da legalidade e atinge o campo da moralidade administrativa e da responsabilidade fiscal.

O vice-prefeito ainda questionou se os barreirenses preferem viver na cidade atual ou na Barreiras de 2016, destacando avanços estruturais. Contudo, o debate que se impõe é: a que custo essa evolução ocorreu? E mais: será necessário “cortar na própria carne” da população, por meio de mais impostos e endividamento, para concluir uma obra essencial?

Especialistas e cidadãos lembram que saúde pública não se resume a prédios, mas envolve atendimento humanizado, profissionais valorizados e acesso amplo aos serviços. Apesar de Barreiras ter crescido, persistem inúmeras reclamações sobre a qualidade do atendimento na rede de saúde.

Diante desse cenário, resta a pergunta central: os vereadores de Barreiras aprovarão mais um empréstimo? E, caso aprovado, o município terá condições reais de honrar essa dívida sem transferir, mais uma vez, o peso para o bolso do contribuinte?

O debate está lançado e promete movimentar intensamente o cenário político barreirense nos próximos meses.

Por Navalhada/Foto do hospital do Nova Fronteira.

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