O mercado brasileiro de trigo iniciou o ano em ritmo lento de negociações. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Élcio Bento, os moinhos atuam com cautela e realizam compras pontuais, principalmente quando produtores precisam liberar espaço nos armazéns para a safra de verão.
No início da semana, os preços oscilaram entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada no Paraná e entre R$ 1.050 e R$ 1.070 no Rio Grande do Sul para entregas a partir da segunda quinzena de março. Para entregas imediatas, os valores ficaram entre R$ 1.150 e R$ 1.180 no Paraná e em torno de R$ 1.030 no território gaúcho.
De acordo com Bento, o avanço da colheita de milho e soja deve manter o trigo em segundo plano nas próximas semanas.
“Com a entrada das colheitas de verão, há dificuldade de acesso ao grão armazenado, escassez de caminhões e elevação dos fretes”, explica o analista.
A expectativa é que o ritmo moderado das negociações se estenda até meados de março. Segundo ele, quando os moinhos retornarem às compras com maior intensidade, os preços tendem a se aproximar rapidamente da paridade de importação.
Atualmente, a paridade de importação no Paraná está em cerca de R$ 1.290 por tonelada. O dólar próximo de R$ 5,20, aliado aos preços mais competitivos do trigo argentino e paraguaio, reduz o espaço para altas no mercado doméstico.
“O cenário atual mantém os preços internos próximos ao limite de competitividade com o produto importado”, ressalta o consultor.
Dados oficiais do Governo Federal referentes ao período de agosto de 2025 a janeiro de 2026 — primeira metade do ano comercial 2025/26 — indicam uma reorganização da balança comercial do trigo. O intervalo foi marcado por importações mais moderadas, exportações antecipadas e melhora parcial no saldo comercial.
Apesar disso, a dependência externa permanece elevada. “O Brasil segue fortemente dependente do trigo importado para manter o abastecimento interno ao longo do ano”, destaca Bento.
As importações totais de trigo e farinha (em equivalente grão) somaram 3,39 milhões de toneladas no período, queda de 4% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior. O volume de trigo em grão recuou de 3,35 milhões para 3,21 milhões de toneladas, enquanto as compras de farinha também diminuíram.
Segundo o analista, o movimento reflete uma postura mais cautelosa da indústria moageira, que tem priorizado compras pontuais e estoques menores, aproveitando momentos de maior competitividade do trigo nacional. Além disso, houve melhora na produção interna, tanto em volume quanto em qualidade, em comparação à safra passada.
Fonte: Portal do Agronegócio.
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