O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acendeu um alerta sobre a qualidade do ensino médico no Brasil. Um relatório ao qual o programa Fantástico, da TV Globo, teve acesso mostra que mais de 30% dos cursos de Medicina avaliados foram reprovados. Entre os cerca de 13 mil estudantes que acertaram menos de 60% da prova, houve elevado índice de erros em questões consideradas de baixa dificuldade.
As perguntas abordavam situações rotineiras da prática médica na atenção primária, como manejo da dengue, tratamento inicial da doença de Parkinson e investigação de cefaleias secundárias. O Inep classificou essas questões como conteúdos que deveriam ser de domínio obrigatório para alunos que já passaram por estágios e tiveram contato direto com pacientes.
A questão 26 apresentava um paciente com sinais clínicos compatíveis com dengue e vômitos persistentes. A resposta correta indicava dengue grupo A, com necessidade de hidratação parenteral e observação em leito, além de exames laboratoriais básicos. Mesmo assim, grande parte dos reprovados marcou alternativas incorretas.
Na questão 22, o quadro clínico clássico de Parkinson — com bradicinesia, tremor de repouso, rigidez e fácies em máscara — exigia como resposta o tratamento inicial com levodopa associada à carbidopa, considerada padrão ouro. Ainda assim, muitos estudantes erraram.
Já a questão 86 descrevia uma paciente com sintomas típicos de arterite temporal, como cefaleia persistente, alterações visuais, dor no couro cabeludo e perda de peso. O exame inicial indicado era a velocidade de hemossedimentação (VHS). A pergunta também teve alto índice de erro.
Além do desempenho insatisfatório, a reportagem revelou relatos preocupantes feitos por estudantes de cursos mal avaliados. Entre os principais problemas apontados estão:
ausência de hospital-escola;
salas de prática superlotadas;
professores lecionando fora da própria especialidade;
pouca realização de procedimentos essenciais durante a formação;
ensino de protocolos incorretos em sala de aula.
Segundo os alunos, essas falhas comprometem diretamente a aprendizagem prática e a segurança profissional.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), instituições com desempenho insuficiente no Enamed podem sofrer sanções como:
proibição de abertura de novas vagas;
redução do número de vagas existentes;
abertura de processos administrativos para correção de falhas estruturais e pedagógicas.
Diante dos resultados, o Conselho Federal de Medicina (CFM) voltou a defender a criação do Profmed, exame obrigatório para obtenção do registro profissional após a formatura. A proposta deve avançar no Senado.
“É muito preocupante estarmos formando um percentual significativo de profissionais que estarão atendendo a população com lacunas graves de conhecimento”, afirmou o presidente do CFM.
Para os estudantes, a formação deficiente não afeta apenas o desempenho no Enamed, mas também o futuro profissional. “A gente quer falar com orgulho de onde veio. A reputação da instituição pesa muito”, relatou um aluno ouvido pela reportagem.
Segundo o MEC, os resultados completos do Enamed estão disponíveis no portal do g1.
Da Redação.
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