O agronegócio moderno exige planejamento estratégico e atenção contínua à saúde do solo para garantir boas colheitas não apenas no presente, mas também nas safras futuras. Nesse cenário, os sistemas integrados de produção — que combinam cultivo de grãos, plantio de forrageiras e criação de animais na entressafra — têm se consolidado como alternativa eficiente para manter o solo fértil, produtivo e sustentável.
Segundo o engenheiro agrônomo Thiago Neves Teixeira, mestre em Zootecnia e especialista em Desenvolvimento de Mercado da Sementes Oeste Paulista (SOESP), a utilização de forrageiras e a adoção de sistemas integrados já são realidade em muitas propriedades rurais. “Manter o solo coberto durante a entressafra é fundamental para conservar a produtividade e a saúde do solo”, afirma.
As forrageiras desempenham papel essencial na melhoria da qualidade do solo, trazendo benefícios como proteção contra erosão, conservação da umidade, redução da temperatura e reciclagem de nutrientes. Também contribuem para o aumento da matéria orgânica e auxiliam no controle de doenças e plantas daninhas.
Além das vantagens agronômicas, essas plantas permitem a integração da pecuária ao sistema agrícola, oferecendo alimento para os animais e diversificando a receita do produtor. “O uso de forrageiras aumenta a eficiência do uso da terra e fortalece a sustentabilidade do sistema agropecuário”, explica Teixeira.
O desempenho da cultura principal está diretamente ligado à escolha adequada das espécies utilizadas na sucessão. Plantas adaptadas ao clima e ao tipo de solo ajudam a melhorar a estrutura física, elevar o teor de matéria orgânica e reduzir a incidência de pragas, doenças e plantas daninhas.
“Planejar a sucessão de culturas estrategicamente promove equilíbrio no sistema, reduz custos a longo prazo e fortalece a resiliência da produção”, destaca o agrônomo.
A Integração Lavoura-Pecuária (ILP) é outro ponto forte das forrageiras, que atuam como fonte de alimentação na entressafra. Entre as espécies mais utilizadas estão Brachiaria ruziziensis, Piatã, Paiaguás, Tamani e outras destinadas a sistemas pecuários intensivos, como Mombaça, Zuri e Quênia.
Estudos recentes, como o conduzido por Bilego et al. (2023), registraram ganhos médios superiores a 800 gramas por dia na seca, com taxa de lotação acima de 3 UA/ha e produtividade aproximada de 14 arrobas por hectare na entressafra.
O uso contínuo de forrageiras também diminui as despesas com adubação. Segundo pesquisas da Embrapa, algumas espécies de Brachiaria conseguem acumular até 5,5 toneladas de palhada por hectare, reciclando cerca de 83 kg de nitrogênio, 60 kg de fósforo (P₂O₅) e 65 kg de potássio (K₂O).
“Essas plantas permitem manter o solo fértil de forma natural, sustentável e econômica”, ressalta Teixeira.
A escolha da forrageira deve levar em conta características do solo, clima e nível tecnológico da propriedade. Quanto maior o potencial produtivo da espécie, maior será a exigência em fertilidade e manejo. A SOESP, especializada em sementes de capins tropicais, trabalha com materiais desenvolvidos por pesquisadores da Embrapa e adaptados a diferentes regiões do país.
Para garantir eficiência e retorno econômico, é necessário acompanhamento técnico desde a seleção das espécies até o plantio, adubação e controle de pragas e invasoras. “O manejo correto das forrageiras transforma o solo em um ativo produtivo, capaz de sustentar safras mais eficientes e lucrativas ao longo dos anos”, conclui Teixeira.
Fonte: Portal do Agronegócio.
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