A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro deixou a direita brasileira sem seu principal eixo político. O vazio de liderança abriu espaço para disputas internas e para a ascensão de figuras que tentam ocupar o posto de candidato natural ao Planalto.
As divergências que antes eram contidas agora vieram à tona. O ambiente tornou-se hostil, e as críticas entre os próprios aliados tornaram-se públicas. O que se vê é uma direita fragmentada, sem direção e sem consenso.
Michelle Bolsonaro, que por um período foi vista como alternativa eleitoral, reagiu com indignação à possibilidade de Ciro Gomes – um tradicional antagonista do clã – ser cogitado como representante da direita. Para a ex-primeira-dama, seria inaceitável que alguém que sempre atacou a família Bolsonaro agora fosse ungido como porta-voz do grupo.
O simples fato de setores da direita e até membros do clã Bolsonaro cogitarem Ciro Gomes como possível presidenciável revela o nível de desorientação. A aliança improvável expõe a falta de nomes sólidos e a confusão estratégica instalada.
Para muitos bolsonaristas, o senador Flávio Bolsonaro seria o nome mais lógico para unir a base. Ele carrega o sobrenome, o "sangue" político do pai e, simbolicamente, a esperança de tirá-lo da prisão.
Mas a aceitação pública do nome é incerta, e sua competitividade eleitoral também.
Embora Tarcísio de Freitas seja visto como o mais preparado e competitivo, enfrenta resistência dentro do bolsonarismo duro. Eduardo Bolsonaro já questionou publicamente se Tarcísio “é de direita”, criando ainda mais ruído. Se até o nome considerado mais forte é contestado, fica evidente que a direita carece de unidade.
Com a chegada de 2026, a pressão aumenta. A família Bolsonaro terá que definir um nome, mas nem mesmo isso garante unidade. Resta a dúvida: irão ouvir o “presidiário” na hora de escolher, ou prevalecerá a disputa interna entre irmãos e aliados?
Mesmo com Bolsonaro usando a máquina pública à época e Lula saindo de uma cadeia, o radical-de-direita perdeu para Lula em 2022. Agora, com Lula no poder e Bolsonaro preso, a situação é ainda mais desfavorável. A direita não só enfrenta um presidente fortalecido, como enfrenta a si mesma.
A verdade é dura: a direita brasileira está politicamente perdida. Falta estratégia, falta coesão e faltam lideranças capazes de articular um projeto real. As brigas internas passaram a ser maiores do que a disputa contra o adversário comum.
Enquanto isso, o país assiste — perplexo — a um campo político que, antes hegemônico, agora parece à deriva.
Da redação do 40 Graus.
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