A decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada no início de julho pelo então presidente Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, acendeu um alerta no agronegócio nacional. O setor, que já enfrenta forte pressão fiscal interna, teme os impactos econômicos e sociais da nova medida, que pode comprometer exportações, encarecer alimentos e ameaçar a segurança alimentar da população.
Entre os produtos diretamente atingidos estão carne bovina, suco de laranja, café e equipamentos agrícolas. A nova barreira reduz a competitividade dos exportadores brasileiros e pode levar a uma retração na produção nacional.
Segundo a advogada Márcia de Alcântara, especialista em Direito Agrário e do Agronegócio, o impacto da tarifa americana se soma a uma “sopa de taxas” já existente no país, incluindo alta da Selic, elevação do IOF e propostas de taxação das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
“O prato do brasileiro fica mais caro e mais vazio. Menos competitividade no exterior e custos maiores para produzir aqui podem levar o produtor a reduzir a produção. Quando o campo recua, a cidade sente”, afirmou Márcia.
As LCAs, responsáveis por cerca de 39% do financiamento agrícola, podem perder atratividade com a proposta de taxação. Márcia alerta que isso pode restringir o acesso ao crédito, especialmente para pequenos e médios produtores, que dependem desses recursos para compra de sementes, insumos, defensivos e maquinário.
O agronegócio representa uma das principais engrenagens da economia brasileira. Dados do Ministério da Agricultura indicam que, apenas em 2024, o setor movimentou bilhões em exportações, com os Estados Unidos e a China entre os maiores parceiros comerciais. No entanto, com a imposição da nova tarifa, setores como o da carne bovina já relatam prejuízos e incertezas.
“Menos produção significa menos arrecadação, menos empregos e menos consumo interno. A redução na oferta de grãos e carnes afeta exportações e aumenta a pressão inflacionária”, destacou Márcia.
Entidades como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Sistema OCB demonstraram preocupação com o enfraquecimento do setor produtivo.
A especialista reforça que o agronegócio precisa de previsibilidade e equilíbrio entre tributação e incentivos.
“Não se trata de isentar o campo de impostos a qualquer custo, mas de assegurar o direito constitucional à alimentação, previsto no artigo 6º da Constituição. Se o alimento não for acessível na mesa do cidadão, esse direito está sendo violado”, pontuou Márcia.
A advogada encerra com um alerta para os riscos de inação diante da escalada tarifária internacional e da pressão fiscal interna:
“Essa guerra tarifária não atinge apenas os produtores. Ela ameaça a segurança alimentar de todo o país. Se não houver reação conjunta, o efeito pode ser silencioso, mas devastador para o que está no prato de cada brasileiro.”
Fonte: Portal do Agronegócio.
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