A sessão desta segunda-feira (4), na Câmara Municipal de Barreiras foi marcada por discursos contundentes e questionamentos sobre o pedido de empréstimo de R$ 140 milhões encaminhado pelo Executivo à Câmara. Entre as falas que mais repercutiram, destacou-se o posicionamento firme da vereadora Beza, que trouxe à tona dúvidas já compartilhadas por parte da população barreirense.
Segundo a proposta apresentada, os recursos do empréstimo seriam destinados à conclusão da terceira ponte sobre o Rio Grande, à conclusão do Hospital Edsonnina Neves, a obras na zona rural e a investimentos voltados ao atendimento de pessoas com autismo. No entanto, a vinculação desses investimentos gerou críticas entre alguns parlamentares da oposição.
Durante o seu discurso, Beza — que tem uma neta autista — questionou a prioridade repentina dada à causa. Em tom incisivo, afirmou que historicamente o autismo nunca recebeu a devida atenção no município e indagou se apenas agora, diante de um novo financiamento, o tema passaria a ser tratado como prioridade.
A vereadora aproveitou a situação e se antecedeu declarando voto contrário à concessão de um novo empréstimo, alegando preocupação com o nível de endividamento do município. “Barreiras já deve mais de um bilhão - essa conta é do povo barreirense”, afirmou.
O debate ganhou ainda mais intensidade com apartes de outros vereadores. João Felipe classificou como “estranha” a associação do empréstimo com a causa autista e criticou o que chamou de condicionamento inadequado de pautas sensíveis a um financiamento de grande porte, especialmente em ano eleitoral.
O vereador João Felipe aproveitou e levantou mais um questionamento direto: - caso o pedido de empréstimo não seja aprovado na Câmara, os investimentos em idosos e autistas deixariam de acontecer?
A vereadora Carmélia da Mata também se posicionou, sugerindo que, se aprovado, o recurso poderia ter finalidade eleitoral, ampliando o clima de desconfiança entre os parlamentares e a sociedade barreirense.
Outro ponto levantado por Beza foi a falta de transparência sobre recursos anteriores. A vereadora questionou o destino do dinheiro proveniente da venda do antigo prédio da prefeitura, além de cobrar explicações sobre investimentos prometidos para obras como a ponte e recursos de precatórios.
Sobre os precatórios a vereadora falou em tom irônico, e perguntou: "onde está o dinheiro dos precatórios?" “o gato comeu?” "Onde está esse gato?" "Mas nós vamos atrás desse gato Thaislane"... provocando reação imediata do público presente, que respondeu com risos no plenário.
A discussão também trouxe à memória decisões passadas da gestão municipal, como a venda do antigo prédio da prefeitura, construído na gestão do ex-prefeito Baltazarino. - Fato é que o imóvel poderia ter sido reaproveitado como centro administrativo, especialmente diante do crescimento urbano de Barreiras.
O episódio expõe não apenas divergências políticas, mas também um cenário fiscal que preocupa. O volume da dívida pública municipal, somado à busca por novos empréstimos, levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira da cidade e a efetividade da aplicação dos recursos já obtidos. Em meio a isso, temas sensíveis como o autismo acabam sendo inseridos em um debate que mistura responsabilidade social e estratégia política.
A sessão evidenciou a necessidade de uma maior transparência na gestão dos recursos públicos e de planejamento financeiro mais consistente, sob pena de ampliar a desconfiança da população em relação às decisões que impactam diretamente o futuro do município.
Por Navalhada/Brazil Político.
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