
O partido Podemos em ensaio de convenção lançou essa semana o nome de Sérgio Moro para alguma coisa que pode ter cunho presidencial ou um simples foguete fadado a dar “xabú”.
Em seu discurso Moro fala no assunto, mas não mostra nenhuma prova consistente, ainda não se sabe o que de fato aconteceu para ele pedir demissão de seu cargo de Ministro da Justiça. Tornando-se assim uma figura bipolar e patética, pois o Moro que aprendemos a admirar na Operação Lava Jato não tem o mínimo cacoete do Moro que foi Ministro do governo Bolsonaro.
Entre Cavalo de Tróia e Pinóquio resta a alusão que essas figuras eram feitas de madeira e destinadas ao mesmo propósito, enganar seus adversários.
Porem, o ex-magistrado voltou ao cenário com voz firme, uma postura menos melosa, mas prometendo o que todos prometem: saúde, segurança e educação. Como diz José Maria Trindade, do “Pingo nos Is”, a mesma canja de galinha que se não faz bem, tenha certeza que mal não faz. Apresenta-se então com o disparate de nunca ter pretendido um cargo político. Esse é o seu lado Pinóquio. E quando criticou o governo do qual foi convidado, mostrou seu lado de Cavalo de Tróia.
Esse é o Sérgio Moro, que não mora da filosofia, que não ataca o STF, que derrubou todo o seu excelente trabalho na Lava Jato, que ao falar de saúde se esquece que foi um dos mentores do 'fique em casa'. Também não emite opinião sobre os presos políticos, vítimas do autoritarismo de 11 togados. Está atirando para o lado completamente errado, pois não existe mais espaço nesse Brasil para quem, ao sair do cargo de Ministro se esqueceu de todos os princípios de Justiça. Não tem voto de quem vota em Lula, muito menos de quem prefere Bolsonaro. Está mais para um “troço” boiando no sanitário, sem saída para lado nenhum, só vai mesmo pra baixo.
Por todas essas razões muito fáceis de serem percebidas, mas também lamentáveis, pois a destruição de uma carreira brilhante de alguém que subiu como um foguete, mas logo se estatelou no chão por ter traído a si mesmo. O Moro que traiu Moro recebeu uma moeda atirada por um espectador e o pejo de traidor. Todavia, há bem pouco tempo atrás se não tivesse sido tão venal, tão apressado e tão hipócrita, teria sido a “bola da vez”. Mas, Moro não morou na filosofia... Botei na balança você não pesou... botei na peneira você não passou..
(sugestão de musica “Mora da Filosofia” com Caetano Veloso)