
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) classificou o ex-diretor da Abin e ex-deputado federal Alexandre Ramagem como “estrangeiro ilegal”, sujeito a detenção e deportação. Segundo o órgão, o pedido de asilo político não lhe garante status legal no país.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025. Ele entrou legalmente nos EUA em 11 de setembro, com visto de turista válido por seis meses, mas permaneceu após o vencimento do prazo.
De acordo com o DHS, Ramagem foi preso pelo ICE, a polícia de imigração americana, em 13 de abril, em Orlando, na Flórida. Dois dias depois, foi solto sem pagar fiança, enquanto aguarda o andamento do processo de deportação. O órgão afirma que ele terá direito ao devido processo legal.
O caso gerou divergências dentro do governo dos Estados Unidos. Em 20 de abril, o Departamento de Estado suspendeu o credenciamento do policial federal Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação da Polícia Federal em Miami, que participou da localização e detenção de Ramagem.
A justificativa americana foi a suspeita de que o policial estaria tentando contornar os procedimentos de extradição. O Brasil, porém, havia protocolado o pedido formal de extradição em 30 de dezembro de 2025, mais de três meses antes da prisão, segundo o Ministério da Justiça.
Em resposta, o governo Lula suspendeu a autorização de permanência de um agente de imigração americano lotado em Brasília. Ele deixou o país em 22 de abril. O Itamaraty alegou que Washington não consultou o governo brasileiro, como prevê o acordo sobre adidos policiais, e desrespeitou a “boa prática diplomática**”.
A liberação de Ramagem sem pagamento de fiança foi considerada incomum no processo de deportação. O comunicador Paulo Figueiredo, cuja consultoria de imigração, a Immigrex, auxiliou o ex-deputado, agradeceu publicamente ao presidente Donald Trump no dia da soltura.
Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ajudou a acelerar o procedimento, que, segundo ele, poderia levar pelo menos duas semanas.