
O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida será julgado em 15 de dezembro pela Justiça do Maranhão. Ele é réu em um processo que apura a suposta participação em uma rede de extorsão contra políticos e empresários.
A ação tramita na 2ª Vara Criminal do Maranhão e teve origem nas investigações da Operação Turing, deflagrada em 2017.
Segundo o Ministério Público e a investigação policial, Luís Pablo faria parte de um grupo de blogueiros que recebia informações sigilosas de um policial federal sobre operações e investigações em andamento.
Os dados seriam usados para pressionar alvos das investigações. Em troca da não divulgação das informações na internet, os suspeitos cobrariam valores que variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil.
Ainda conforme a apuração, alguns dos investigados teriam utilizado as informações vazadas para antecipar-se às operações, escapar das apurações ou destruir provas.
Luís Pablo chegou a ser preso durante a Operação Turing, mas foi liberado horas depois.
A defesa de Luís Pablo nega as acusações e sustenta que testemunhas ouvidas no processo afirmaram não ter sido coagidas ou extorquidas pelo jornalista.
Os advogados também contestam a validade das interceptações telefônicas utilizadas como elementos de prova na ação penal.
Na última terça-feira (18), a Justiça marcou para 15 de dezembro a audiência do processo.
Além de Luís Pablo, também é réu Antônio Marcelo Rodrigues da Silva, conhecido como Marcelo Minard.
Os acusados respondem por organização criminosa, corrupção ativa, extorsão e obstrução da Justiça.
O nome de Luís Pablo voltou ao centro das investigações após a publicação de reportagens sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes autorizou operações de busca contra pessoas apontadas como fontes do jornalista.
A medida provocou novo debate sobre o sigilo da fonte, a liberdade de imprensa e os limites da atividade jornalística.
Na decisão, Moraes afirmou que o sigilo profissional não pode ser utilizado para encobrir a prática de atos ilícitos. As suspeitas envolvem possível monitoramento ilegal dos procedimentos de segurança de Dino e de sua família.
Entre os elementos analisados estão a divulgação de placas de veículos utilizados pelo ministro e dos nomes de agentes responsáveis por sua segurança.
Em relatório, a Polícia Federal informou que não conseguiu confirmar que Luís Pablo teria recebido dinheiro para publicar reportagens negativas contra Flávio Dino.
O jornalista nega ter monitorado o ministro e afirma que a decisão judicial representa uma ameaça à atividade da imprensa.
Na sexta-feira (21), Alexandre de Moraes absolveu sumariamente Marcelo Minard de acusações de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em outro processo derivado da Operação Turing.
A decisão, porém, não encerra a ação penal sobre a suposta rede de extorsão.
Nesse processo, Minard continua sendo réu ao lado de Luís Pablo, com julgamento previsto para dezembro.
Da redação do 40 Graus.