
Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) teria planejado realizar ataques contra prédios públicos em Brasília durante as eleições de 2026.
Entre os alvos discutidos pelos investigados estavam o Palácio do Planalto e o local onde seria realizado um eventual debate entre os candidatos à Presidência que chegassem ao segundo turno.
Uma das mensagens encontradas durante a investigação mencionava o plano de explodir o edifício onde ocorreria o debate do segundo turno, com o objetivo de transmitir, a partir de Brasília, uma mensagem de caráter violento e antidemocrático.
Até o momento, os investigadores não identificaram qual emissora seria alvo da ação. Tradicionalmente, o primeiro debate presidencial é realizado pela Band, enquanto o último costuma ser promovido pela TV Globo.
Segundo o delegado Maurílio Coelho Lima, os suspeitos compartilharam informações sobre a estrutura de prédios públicos e discutiram possíveis formas de entrada e saída do Palácio do Planalto.
A investigação identificou ainda o compartilhamento da planta baixa do edifício, utilizada nas discussões sobre possíveis rotas de acesso e fuga.
Também foram encontrados mapas e informações sobre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Um relatório do Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça especializado no combate a crimes cibernéticos, classificou o conteúdo analisado como de “elevado grau de periculosidade”.
Segundo a investigação, as conversas envolviam planejamento de ações violentas, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à prática de crimes.
Entre os materiais encontrados estavam manuais para fabricação de explosivos e coquetéis molotov, além de discussões sobre quantidade de explosivos, custos das ações e recrutamento de pessoas para cometer ataques.
A investigação identificou dois grupos no Telegram. Um deles reunia mais de 600 integrantes.
Os participantes considerados mais radicalizados eram direcionados para outro grupo, que contava com 46 pessoas e concentrava discussões e instruções relacionadas a possíveis ataques.
As conversas também indicavam planos de recrutamento interestadual, formação tática, seleção de alvos e invasão de edifícios públicos.
A Operação Rede Interrompida foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal em 4 de agosto.
Foram cumpridos mandados de busca em oito cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Os oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, podem responder por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.
Computadores e celulares apreendidos durante a operação continuam sendo analisados pelas autoridades para determinar a extensão dos planos e o grau de participação individual de cada suspeito.
Da redação do 40 Graus.