
Quase um mês após a operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), a Prefeitura de Salvador mantém contratos com empresas investigadas por suspeitas de corrupção e desvio de recursos públicos.
A situação voltou a ser criticada pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), que defende a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal para apurar o caso.
Segundo a parlamentar, os contratos com as empresas Podium Distribuidora, G3 Polaris, LN Distribuidora, WLSP Logística e MP2 Construções começaram em gestões anteriores e foram mantidos pelo prefeito Bruno Reis. Juntos, os contratos movimentaram cerca de R$ 321 milhões.
“É um absurdo constatar que, mesmo diante da repercussão que o caso mereceu, a gestão não fez nada para estancar essa sangria aos cofres públicos”, afirmou Aladilce.
A operação do Gaeco, realizada em 13 de julho, determinou o bloqueio de mais de R$ 38 milhões. Na mesma ocasião, a Justiça afastou o secretário municipal Luciano Sandes e suspendeu o exercício do mandato do vereador George Gordinho da Favela.
A investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa em contratos da Seman e da Desal, com suspeitas de fraudes em licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.
Consultas ao Portal da Transparência, segundo Aladilce, mostram que a prefeitura continuou realizando pagamentos às empresas investigadas.
Após a operação, teriam sido feitos sete pagamentos à Podium Distribuidora, que somaram R$ 132.530. Também foram registrados três novos repasses à G3 Polaris, no valor total de R$ 19.743.
“Quando o escândalo estourou, o prefeito disse que anularia os contratos e até hoje não fez nada. É muito desleixo com o dinheiro público e até com a opinião pública”, declarou a vereadora.
Aladilce também relacionou o episódio à atuação política do grupo ligado ao ex-prefeito ACM Neto, criticando o que classificou como uma postura “autoritária” da gestão municipal.
Em maio, a vereadora já havia cobrado explicações sobre contratos da Seman com outras quatro empresas — Jotagê Engenharia, Roble Serviços, Construtora BSM e Metro Engenharia — que, segundo ela, somavam R$ 293 milhões.
Na ocasião, Aladilce questionou os gastos da prefeitura com ações de preparação para o período de chuvas e afirmou que os problemas de alagamento registrados em Salvador exigiam esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos.
Da redação do 40 Graus.
