
O Brasil segue em negociação com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. As tratativas ocorrem em meio à avaliação do governo de que o tema foi politizado e pode estar relacionado ao cenário eleitoral brasileiro de 2026.
Segundo os negociadores, um acordo comercial seria mais vantajoso para ambos os países do que a adoção das novas taxas. O governo brasileiro também considera que a Casa Branca acompanha o contexto político brasileiro e pode levar esse fator em consideração durante as negociações.
Na última quarta-feira (24), o Itamaraty afirmou, em publicação na rede social X, que o tarifaço tem origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira. O ministério destacou ainda que mantém diálogo pelos canais oficiais para demonstrar que as políticas do país não prejudicam o comércio com os EUA.
Nesta sexta-feira (26), após participar de um evento sobre Mercosul e União Europeia, em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, nas negociações com os norte-americanos. "Na realidade, são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito", declarou.
O prazo para definir a aplicação das tarifas termina em 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro manterá uma agenda de reuniões com representantes da Casa Branca e acredita que, apesar das dificuldades, ainda é possível alcançar um entendimento.
Nos bastidores, a avaliação é de que um eventual governo Trump poderá evitar um acordo que fortaleça o governo brasileiro às vésperas das eleições. Dessa forma, as negociações deixariam de ser apenas comerciais e passariam a integrar a estratégia de segurança nacional dos EUA e sua política de reposicionamento internacional.
Com informações da Agência Brasil.