A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, afirmou em delação premiada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) que facilitou a fuga de 16 detentos da unidade, ocorrida em dezembro de 2024, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior.
Segundo o documento, obtido pelo g1 e pela TV Bahia, a ex-gestora detalhou sua participação no esquema e implicou outras pessoas. As investigações levaram à prisão do político, que nega as acusações.
No depoimento, registrado em 9 de fevereiro deste ano, Joneuma admitiu ter conhecimento do plano de fuga e afirmou que agiu com negligência. Ela também declarou que foi nomeada diretora do presídio por indicação de Uldurico Júnior, com quem manteve um relacionamento amoroso.
A ex-diretora relatou que conheceu o ex-deputado quando trabalhava na unidade prisional de Teixeira de Freitas, onde ele já exercia influência na indicação de cargos. Segundo ela, o político realizava visitas frequentes a internos, inclusive com outros acompanhantes, e mantinha conversas reservadas com detentos.
Após assumir a direção do presídio de Eunápolis, em março de 2024, Joneuma afirmou que Uldurico solicitou reuniões com líderes de facções criminosas custodiadas na unidade, o que ela teria autorizado sob pressão.
De acordo com a delação, a ex-diretora concedeu benefícios aos detentos a pedido do ex-deputado, incluindo alimentação diferenciada e a disponibilização de um freezer.
Ela também afirmou que tinha conhecimento da preparação da fuga, incluindo a posse de ferramentas e armas dentro da unidade. Segundo o relato, dois líderes da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), conhecidos como “Dadá” e “Saguin”, possuíam inclusive as chaves da cela.
A fuga ocorreu em 12 de dezembro de 2024, embora inicialmente estivesse prevista para o final do ano. A antecipação teria ocorrido após informações de que haveria fiscalização no presídio.
Joneuma declarou que o plano de fuga foi negociado por R$ 2 milhões. O acordo teria sido fechado em novembro de 2024, durante um encontro em Eunápolis, com a participação de um intermediário ligado à facção.
Segundo a ex-diretora, parte do valor — cerca de R$ 200 mil — foi paga antecipadamente. O dinheiro teria sido entregue em espécie e posteriormente repassado ao pai de Uldurico Júnior. Parte também teria sido transferida via PIX.
Ela afirmou ainda que o ex-deputado solicitou novos adiantamentos, mas não foi atendido.
A ex-diretora também relatou ter sido ameaçada por Uldurico Júnior em dezembro de 2024, durante um encontro em Salvador. Segundo ela, o ex-deputado mencionou que metade do valor seria destinada a um “chefe”, citando o ex-ministro Geddel Vieira Lima.
Geddel negou qualquer envolvimento e afirmou que nunca teve relação com a ex-diretora. Ele declarou ainda que o nome dele teria sido usado indevidamente.
A defesa de Uldurico Júnior afirmou que todas as acusações são falsas e que o ex-deputado não teve conhecimento de qualquer plano de fuga nem recebeu valores ilícitos. Segundo a nota, ele está colaborando com a Justiça.
Até a última atualização, a defesa de Joneuma Silva Neres não havia se manifestado.
A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que colabora com as investigações desde a fuga.
Da Redação...
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