A entrada em vigor provisória do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, a partir de 1º de maio, inaugura uma nova etapa para o agronegócio brasileiro. Mais do que ampliar oportunidades comerciais, o tratado impõe ao setor o desafio de fortalecer sua imagem e posicionamento no mercado internacional.
Em um cenário global cada vez mais orientado por critérios de origem, sustentabilidade e transparência, a competitividade do agro brasileiro deixa de depender apenas da capacidade produtiva. Agora, também será necessário construir uma narrativa consistente sobre os produtos nacionais.
Durante o encontro ABMRA Ideia Café, realizado no dia 31 de março pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), o conselheiro de comércio da Delegação da União Europeia em Brasília, Damian Vicente Lluna, destacou que o acordo chega em um momento de transformação das relações comerciais globais.
Segundo Lluna, a forma como o agronegócio brasileiro se apresenta ao consumidor europeu será tão importante quanto a qualidade e a competitividade de seus produtos.
“Há uma oportunidade clara de fortalecer a confiança no produto brasileiro. O investimento em rastreabilidade e em novas certificações pode transformar a percepção do agro no mercado europeu”, afirmou.
Nos últimos anos, a imagem dos produtos agropecuários brasileiros foi impactada por discussões relacionadas ao desmatamento e às práticas ambientais. Apesar dos avanços recentes, o setor ainda precisa investir em ações estruturadas para consolidar uma percepção mais positiva no exterior.
De acordo com Lluna, três pilares passam a orientar a comunicação do agro brasileiro no mercado europeu: rastreabilidade, confiabilidade e sustentabilidade.
A rastreabilidade envolve a comprovação da origem dos produtos ao longo de toda a cadeia produtiva. A confiabilidade está ligada à transparência e à consistência dos processos. Já a sustentabilidade diz respeito à adoção de práticas alinhadas às exigências ambientais internacionais.
“Demonstrar esses atributos deixa de ser um diferencial e passa a ser requisito básico para acessar o mercado europeu”, explicou Lluna. Ele também ressaltou que a abertura comercial será acompanhada por uma demanda crescente por sistemas robustos de controle, certificação e comprovação de práticas sustentáveis.
Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o momento exige uma mudança de postura do setor agropecuário brasileiro.
“Estamos diante de uma oportunidade de reposicionar o agro brasileiro não apenas como fornecedor, mas como uma marca global. Isso passa necessariamente por uma comunicação mais estratégica e alinhada às demandas do mercado internacional”, disse.
Nicodemos avalia que o desafio do setor será duplo: aproveitar as oportunidades comerciais criadas pelo acordo e, ao mesmo tempo, fortalecer o posicionamento internacional dos produtos brasileiros.
“A consolidação de uma narrativa consistente, apoiada por dados e evidências, será determinante para ampliar a competitividade e sustentar o acesso a mercados mais exigentes”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio.
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