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Haddad desafia ex-ministros da Fazenda a debater contas públicas ao deixar governo para disputar SP

Ministro afirma ter reduzido em 70% o déficit primário herdado e antecipa embate econômico com aliados do bolsonarismo durante a campanha eleitoral.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Bahia Notícias
15/03/2026 às 11h28
Haddad desafia ex-ministros da Fazenda a debater contas públicas ao deixar governo para disputar SP

Prestes a deixar o comando do Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo nas eleições deste ano, Fernando Haddad lançou um desafio público aos seus antecessores no cargo. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o ministro afirmou estar disposto a debater o legado de sua gestão e a situação das contas públicas brasileiras.

Na publicação, acompanhada da frase “lançado o desafio”, Haddad afirmou que conseguiu reduzir em cerca de 70% o déficit primário do governo federal durante os dois primeiros anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Eu estou disponível para conversar com qualquer pessoa que sentou na minha cadeira sobre as contas públicas e de qualquer período. Eu gosto de um debate. Faz tempo que eu não debato”, disse o ministro no vídeo.

Haddad também comparou os números da atual gestão com os do governo anterior. Segundo ele, o déficit projetado para 2023 durante o governo de Jair Bolsonaro era superior a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Já o resultado alcançado pela sua equipe, considerando exceções às regras fiscais, teria ficado em 0,48% do PIB.

“Chama qualquer um para sentar comigo em qualquer auditório para discutir as contas que eu recebi”, afirmou.

Saída do ministério e cenário eleitoral

A saída de Haddad do Ministério da Fazenda ocorre a pedido de Lula, para que ele dispute o governo de São Paulo contra o atual governador Tarcísio de Freitas. A candidatura também deve reforçar a campanha presidencial do petista, que pode enfrentar Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente.

O posicionamento público de Haddad antecipa o embate de números e narrativas econômicas que deve marcar a campanha eleitoral. A expectativa é que haja uma comparação direta entre a gestão de Haddad e a de Paulo Guedes, que comandou a economia durante o governo Bolsonaro.

Apesar do desafio lançado pelo ministro, a reportagem da Folha de S.Paulo procurou ex-ministros da Fazenda desde Pedro Malan, do governo Fernando Henrique Cardoso, mas nenhum aceitou comentar publicamente o tema.

Nos bastidores, entretanto, ex-integrantes de governos não petistas criticam o aumento da dívida pública e apontam falta de esforço do atual governo para reduzir despesas.

Guedes e aliados entram no debate

Principal alvo das críticas de Haddad, Paulo Guedes tem evitado confrontos públicos sobre a política econômica desde o início do terceiro mandato de Lula. No entanto, ele deve voltar ao debate durante o período eleitoral.

Ao lado do ex-secretário especial da Fazenda Waldery Rodrigues, Guedes prepara o lançamento do livro O Caminho da Prosperidade, que reúne números e análises sobre a economia brasileira entre 2018 e 2022.

O ex-ministro também tem sido citado como um dos principais conselheiros econômicos de Flávio Bolsonaro. Em evento recente, Guedes declarou “apoio total” à eventual candidatura do senador.

Outro nome que surge nas articulações da oposição é o senador Rogério Marinho, hoje coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Marinho afirmou que, em caso de vitória eleitoral, o novo governo pretende revisar reformas como a da Previdência e a trabalhista.

Juros, Banco Central e críticas cruzadas

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também entrou no radar das críticas de Haddad. O ministro afirma que o BC exagerou na elevação dos juros durante o atual governo, o que teria prejudicado o crescimento econômico.

Campos Neto, por sua vez, critica as medidas de estímulo fiscal adotadas pelo governo Lula para impulsionar a economia. Na avaliação dele, essas políticas dificultaram o combate à inflação e exigiram juros mais elevados, atualmente em 15%.

Avaliações de economistas

Para o economista Samuel Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, o saldo da gestão Haddad é positivo, embora ele considere pouco produtiva a estratégia de culpar governos anteriores pela situação fiscal.

“O ministro foi a pessoa que estabeleceu a agenda do terceiro mandato para o presidente Lula”, afirmou.

Entre os pontos positivos, Pessôa cita a reforma tributária, a criação do novo arcabouço fiscal e as negociações para o fim de benefícios como a desoneração da folha de pagamento e o programa Perse, além de outras medidas para ampliar a arrecadação e reduzir incentivos tributários.

Ainda assim, o economista aponta que algumas escolhas do governo ampliaram os gastos públicos. Segundo seus cálculos, a reindexação do salário mínimo e o aumento obrigatório das despesas com saúde e educação adicionaram cerca de R$ 210 bilhões ao gasto público em 2026.

Dívida pública é ponto de maior crítica

O principal ponto de vulnerabilidade da gestão Haddad é o aumento da dívida pública. A dívida bruta do país encerrou 2025 em 78,7% do PIB, ante 71,58% no início do governo Lula.

Analistas projetam que esse percentual pode continuar subindo. O economista Jeferson Bittencourt, chefe da área de macroeconomia da instituição financeira ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, estima que a dívida pode alcançar 82,9% do PIB até o fim deste ano.

Segundo ele, o crescimento das despesas ficou acima do previsto pelo novo arcabouço fiscal.

“Tivemos um crescimento de despesa no período que foi acima do crescimento estabelecido pelo arcabouço”, afirmou.

Para Bittencourt, o crescimento econômico observado nos últimos anos não foi acompanhado por uma melhora estrutural da capacidade do governo de gerar superávits primários.

“O grande problema foi que tivemos um ciclo virtuoso de crescimento, também impulsionado por estímulos fiscais, mas não conseguimos melhorar estruturalmente a capacidade de gerar resultados primários”, concluiu.


Se quiser, também posso deixar o texto ainda mais no estilo de portal de notícias (tipo G1, UOL ou Folha), que costuma ser mais curto, direto e com subtítulos mais fortes.

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