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Anfavea alerta: avanço de kits importados ameaça empregos e acelera desindustrialização do setor automotivo

Estudo aponta risco de quase 300 mil postos de trabalho, perdas bilionárias para a economia e pressão sobre o governo às vésperas do fim da cota de isenção para veículos eletrificados desmontados.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Com informações do BNews
20/01/2026 às 21h35
Anfavea alerta: avanço de kits importados ameaça empregos e acelera desindustrialização do setor automotivo

Um estudo divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) acendeu um sinal vermelho sobre o futuro do parque industrial automotivo brasileiro. Segundo a entidade, a substituição da produção integral de veículos pela simples montagem de kits importados — nos regimes CKD e SKD — pode provocar a perda imediata de 69 mil empregos diretos e atingir cerca de 227 mil postos indiretos ao longo de toda a cadeia produtiva.

O impacto, porém, vai muito além do mercado de trabalho. A Anfavea estima um prejuízo de R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças, além de uma queda anual de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos. No comércio exterior, o cenário projetado inclui uma retração de R$ 42 bilhões nas exportações, com efeitos diretos sobre a balança comercial brasileira.

A divulgação do levantamento ocorre em um momento estratégico. No próximo dia 31 de janeiro vence a cota que permite a importação de veículos eletrificados desmontados com alíquota zero de imposto. A política, criada de forma temporária, beneficiou especialmente a operação da BYD no Brasil, mas enfrenta forte resistência das montadoras tradicionais instaladas no país, como Toyota, General Motors e Volkswagen, representadas pela Anfavea.

Para o presidente da associação, Igor Calvet, o debate não é contra a concorrência nem contra os modelos CKD e SKD em si, mas contra a prorrogação de incentivos fiscais sem contrapartidas industriais claras. Segundo ele, operações de montagem simplificada demandam muito menos mão de obra e não estimulam o desenvolvimento de fornecedores locais, reduzindo investimentos, inovação e geração de empregos qualificados no país.

Na avaliação da Anfavea, manter isenções para altos volumes de produção desmontada pode acelerar um processo de desindustrialização silenciosa, enfraquecendo a base produtiva nacional. A entidade defende o encerramento definitivo das cotas e a adoção de regras que priorizem a agregação de valor no Brasil, sob o risco de transformar o país apenas em um polo de montagem, e não mais de produção automotiva. 

Fonte: BNews.

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