24°C 37°C
Barreiras, BA
Publicidade

A Ditadura do Instagram: Como os Influenciadores Estão Controlando as Nossas Vidas

Reflexões sobre a busca incessante pela perfeição e a perda da autonomia na era digital.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Do Brazil Político
17/01/2026 às 21h20
A Ditadura do Instagram: Como os Influenciadores Estão Controlando as Nossas Vidas

Ultimamente, tenho notado uma tendência curiosa: amigos e conhecidos compartilham vídeos no direct do Instagram, como se estivessem evangelizando sobre a "maneira correta" de fazer as coisas.

Um amigo, por exemplo, transformou-se em um barista fervoroso, inundando minha caixa de entrada com reels sobre a importância de tomar café sem açúcar e com grãos selecionados. Confesso que, inicialmente, encarei com humor, mas a insistência diária me fez refletir sobre algo maior.

Essa situação me fez pensar: vivemos em uma era onde parece existir uma obsessão em encontrar o jeito "certo" para tudo. Recebo vídeos de médicos defendendo a ingestão de água com sal integral, de consultores de imagem ditando regras sobre como homens devem se vestir, e até mesmo teorias sobre a relação entre o glúten e o câncer. E o que mais me intriga é que, no final desses vídeos, surge a oferta de um curso "revolucionário" por R$ 49,90, prometendo transformar nossas vidas.

Percebo que muitos se tornaram especialistas em como os outros devem viver, pensar e se comportar. É como se todos tivessem descoberto um segredo capaz de reconfigurar a existência alheia. Mas será que essa busca incessante pela perfeição não estaria nos transformando em microditadores?

Claro que nem todos que compartilham essas dicas são tiranos. Recentemente, comprei um livro influenciado pela recomendação de um crítico literário. No entanto, os verdadeiros "ditadores do Instagram" revelam uma mentalidade controladora, impondo suas visões como verdades absolutas e silenciando qualquer discordância. E quando alguém ousa desafiá-los, eles são impiedosamente relegados aos "gulags" do cancelamento digital.

A busca pela credibilidade e a armadilha da soberba

Lembro-me de uma influenciadora católica que, com uma retórica implacável, afirmou que "gordos não passam credibilidade". Segundo ela, a gordura seria sinônimo de descontrole e fraqueza, levando à hipocrisia. Embora a credibilidade esteja relacionada à veracidade de atos e promessas, a petulância e a soberba podem ser tão graves quanto a gula. Afinal, Lúcifer não era obeso, mas sua soberba o levou a se julgar no direito de apontar imperfeições universais.

É importante lembrar que a estética não garante a ética e a moral. A obsessão pela pureza externa pode, muitas vezes, esconder a corrupção interior, como bem disse São Mateus: "sepulcro caiado".

No fim, esses microditadores se autoproclamam senhores da verdade, vomitando sentenças e dogmas com entonações persuasivas. Eles impõem uma forma "correta" de viver, que se confunde com a maneira como eles próprios vivem. O problema é que eles confundem seu sucesso pessoal com um imperativo universal, pressupondo que só existe uma maneira certa de alcançar a iluminação: seguindo seus ensinamentos.

Assim, nos transformamos em Frankensteins, feitos de pedaços de verdades alheias. O café que tomamos, a roupa que vestimos, tudo é ditado por influenciadores que sequer nos conhecem. Perdemos nossa autonomia e nos tornamos um amontoado de hábitos e preferências impostas por outros.

Confesso que o mundo tem se tornado um lugar um tanto quanto chato. E, apesar de resistir, hoje só tomo café arábico sem açúcar. Recentemente, mandei ajustar a barra da minha calça e até emagreci, não por causa de uma influenciadora, mas para ter mais saúde e ver meu filho crescer. Mas não me considero totalmente derrotado. Em forma de resistência, ganhei uns quilinhos extras nas festas de fim de ano e tomei café extraforte com rapadura durante uma semana. E, para completar, comi dois pães na chapa com margarina, desafiando os ditames da alimentação saudável.

Afinal, a vida é muito curta para ser ditada por microditadores do Instagram. Que possamos resgatar nossa autonomia e viver de acordo com nossas próprias escolhas, sem nos preocuparmos em seguir os padrões impostos por terceiros.

Fonte: Da redação do Brazil Político.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários