
O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul confirmou a destituição do presidente Yoon Suk Yeol, mantendo a decisão do parlamento que aprovou seu impeachment em dezembro.
A crise teve início após Yoon impor temporariamente a Lei Marcial no ano passado, provocando uma das maiores instabilidades políticas do país nas últimas décadas.
A decisão do tribunal encerra formalmente o seu mandato e evita que ele tente reassumir o cargo, o que gerou alívio entre legisladores preocupados com novas tentativas de imposição autoritária.
O impeachment de Yoon resultou em forte polarização, levando milhares de pessoas às ruas em manifestações favoráveis e contrárias à sua destituição.
Enquanto opositores comemoraram a decisão, seus apoiadores realizaram protestos. A capital sul-coreana teve a segurança reforçada para evitar tumultos.
Esse episódio marca uma reviravolta na trajetória de Yoon, que anteriormente se destacou como promotor no impeachment da ex-presidente Park Geun-hye, tornando-se agora o segundo líder do país a ser destituído pelo tribunal.
A crise ocorre em um momento delicado para a política e economia sul-coreanas, deixando o país sem liderança definida. Conforme prevê a legislação, uma nova eleição presidencial deverá ocorrer em até 60 dias.
Entre os principais nomes cotados para a sucessão está Lee Jae-myung, líder da oposição e ex-advogado. Enquanto isso, Yoon enfrenta um julgamento por insurreição, uma das poucas acusações criminais para as quais um presidente não possui imunidade. Se condenado, ele pode receber pena de prisão perpétua ou até a pena de morte, embora a Coreia do Sul não realize execuções há décadas.
Yoon justificou a imposição da Lei Marcial alegando a necessidade de conter ameaças de "forças antiestatais" supostamente alinhadas à Coreia do Norte. No entanto, testemunhos indicam que ele ordenou o envio de tropas para fechar a Assembleia Nacional e prender parlamentares.
Sua ação durou apenas seis horas, pois os legisladores revogaram o decreto e votaram por seu afastamento, aprofundando a crise. Seu governo já enfrentava dificuldades com a oposição, que detinha maioria no parlamento e bloqueou diversas iniciativas.
Esse impasse político foi um dos argumentos utilizados por Yoon para decretar a Lei Marcial, medida que acabou selando seu destino.
Com informações do Meio Norte.