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Europa prepara plano de 800 bilhões de euros para Ucrânia e autodefesa após EUA pausarem ajuda

O plano é uma reação ao anúncio dos EUA, na noite desta segunda-feira (3), de que vai pausar a ajuda norte-americana à Ucrânia.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Portal Metro1
04/03/2025 às 12h34
Europa prepara plano de 800 bilhões de euros para Ucrânia e autodefesa após EUA pausarem ajuda

A União Europeia começou a se preparar para um novo e preocupante cenário geopolítico: a possível retirada definitiva do apoio militar e financeiro dos Estados Unidos à Ucrânia e até mesmo uma reaproximação entre Washington e Moscou. A resposta veio após o anúncio feito pelo governo norte-americano, na noite desta segunda-feira (3), de que vai pausar temporariamente a ajuda militar destinada a Kiev, aprofundando as incertezas sobre a continuidade do suporte ocidental ao país invadido pela Rússia em fevereiro de 2022.

Em reação imediata, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira (4), que o bloco prepara um robusto pacote de investimentos de 800 bilhões de euros (cerca de R$ 4,9 trilhões), para fortalecer a defesa dos países-membros da União Europeia e reduzir a dependência estratégica em relação aos Estados Unidos em termos militares e de segurança.

Segundo Von der Leyen, além de reforçar as defesas do continente, o plano visa assegurar que a Ucrânia continue com capacidade bélica suficiente para manter poder de barganha nas negociações com a Rússia, caso o congelamento da ajuda americana se prolongue ou se torne definitivo. “Não podemos permitir que a Ucrânia seja deixada sozinha neste momento crítico. Precisamos garantir sua soberania e segurança, com ou sem os Estados Unidos ao nosso lado”, declarou Von der Leyen em coletiva de imprensa em Bruxelas.

Temor crescente na Europa

O ambiente político na Europa tem se tornado cada vez mais tenso com a indefinição americana. A possibilidade de uma mudança radical na política externa dos EUA — principalmente diante da possibilidade de retorno de Donald Trump à presidência — acende alertas sobre um eventual acordo de bastidores entre Washington e Moscou, que poderia enfraquecer o esforço de resistência ucraniano e redesenhar alianças globais.

Fontes diplomáticas em Bruxelas indicam que, nos bastidores, líderes europeus avaliam que a União Europeia precisa estar pronta para enfrentar sozinha o desafio de sustentar a defesa ucraniana e proteger suas próprias fronteiras caso os Estados Unidos mudem sua postura histórica de antagonismo à Rússia.

Detalhes do plano europeu

O pacote anunciado por Ursula von der Leyen deve envolver investimentos em tecnologias militares de ponta, aumento da produção de armamentos em solo europeu e fortalecimento da indústria bélica do bloco. Além disso, parte dos recursos poderá ser destinada diretamente para o envio de equipamentos, munições e apoio logístico à Ucrânia.

Entre as propostas em discussão estão:

  • Criação de um fundo permanente de apoio militar à Ucrânia.
  • Ampliação da cooperação em inteligência e cibersegurança entre os países da UE.
  • Fortalecimento das defesas de países fronteiriços com a Rússia e Belarus, como Polônia e os Estados Bálticos.
  • Incentivos à indústria de defesa europeia para acelerar a produção e desenvolvimento de novas tecnologias bélicas.

Risco de isolamento

Para analistas internacionais, o cenário é inédito e desafia décadas de dependência europeia em relação ao poderio militar dos EUA. “Se a Europa quiser realmente garantir sua segurança e a da Ucrânia sem os Estados Unidos, precisará de uma reestruturação completa de sua estratégia de defesa e de investimentos massivos como este que está sendo proposto”, afirmou o especialista em relações internacionais François Delattre, ex-embaixador da França na ONU.

Ao mesmo tempo, há preocupação sobre a coesão interna do bloco. Países como Hungria e Eslováquia têm se mostrado reticentes com a continuidade do apoio irrestrito a Kiev, e uma eventual retirada dos EUA pode ampliar as divisões políticas dentro da própria União Europeia.

Próximos passos

O plano europeu ainda precisa passar por negociações entre os países-membros e pela aprovação do Parlamento Europeu. Von der Leyen indicou que a expectativa é que as primeiras etapas de financiamento possam ser lançadas ainda no segundo semestre deste ano.

Enquanto isso, Kiev acompanha com apreensão o desenrolar dos acontecimentos. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky já iniciou conversas diretas com líderes europeus para garantir que o fluxo de ajuda não seja interrompido, mesmo diante do silêncio cada vez mais preocupante vindo de Washington.

Caso a tendência de afastamento americano se confirme, a guerra na Ucrânia pode entrar em uma nova fase, com a Europa assumindo protagonismo absoluto no suporte à resistência contra a Rússia — e, ao mesmo tempo, preparando-se para uma era de incertezas sem o tradicional guarda-chuva militar dos Estados Unidos.

Da Redação do 40 Graus.

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