
A Avenida Enock Ismael, inaugurada às pressas pelo ex-prefeito de Barreiras, Zito Barbosa, pouco antes do término de seu mandato, está rapidamente se tornando um símbolo de negligência e descaso. Com cerca de 1.400 metros de extensão, a obra prometia ser uma solução moderna para a mobilidade urbana, mas, em vez disso, expôs a população a riscos significativos.
Duas semanas após a sua liberação, problemas estruturais começaram a aparecer. Deslizamentos de terra já foram registrados, transformando a avenida em um perigo constante para os motoristas e pedestres que ousam utilizá-la. O corte na serra, realizado para viabilizar a obra, não foi devidamente estabilizado, o que, combinado com as chuvas intensas que atingem Barreiras, intensificou os transtornos.
A pressa em inaugurar a avenida parece ter sido motivada mais por interesses políticos do que pelo desejo de entregar uma obra de qualidade à população. O ex-prefeito, em uma clara tentativa de consolidar um “legado” antes de deixar o cargo, ignorou etapas essenciais do projeto. Encostas instáveis, ciclovias incompletas, iluminação pública deficiente e a ausência de sinalização adequada são problemas que saltam aos olhos de quem transita pelo local.

Esse tipo de prática, além de irresponsável, contraria uma lei municipal que proíbe a entrega de obras inacabadas. No entanto, a legislação parece ter sido ignorada. A pergunta que paira no ar é: se um acidente ocorrer, quem será responsabilizado? O ex-prefeito, que inaugurou a obra, ou o atual gestor, que herdou o problema?

A obra também deixou sua marca no meio ambiente. O corte da serra alterou drasticamente o ecossistema local, gerando descontentamento entre ambientalistas e moradores dos bairros adjacentes. Com as chuvas, os impactos foram amplificados: enchentes e deslizamentos já afetam residências próximas, tornando claro que os riscos não foram devidamente calculados ou mitigados.

O mais frustrante para os barreirenses é perceber que o problema poderia ter sido evitado com planejamento e paciência. Esperar pela conclusão da obra não apenas garantiria maior segurança, como também permitiria que o novo prefeito assumisse a entrega, reforçando o compromisso de sua gestão com a qualidade e o bem-estar da população.

A Avenida Enock Ismael, que deveria ser um marco de progresso, tornou-se um exemplo de má gestão pública. Os moradores de Barreiras têm agora o direito – e o dever – de cobrar explicações, reparações e, acima de tudo, responsabilidade daqueles que transformaram uma promessa em um problema. Afinal, quem pagará a conta dos desastres anunciados?
Da Redação do 40 Graus/Fonte: Fala Barreiras.