
A polêmica envolvendo Jorge & Mateus e a programação do Festival Virada Salvador ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (5). Durante entrevista ao programa Giro Baiana – 1ª edição, da Rádio Baiana FM (89,3) e da BNews TV, o ator Érico Brás intensificou as críticas à contratação da dupla e de outros artistas sertanejos para eventos públicos.
O ator classificou a presença dos músicos no Réveillon de Salvador como um desrespeito à população e questionou a escolha das atrações.
“Eu acho um absurdo, uma falta de vergonha, falta de respeito com o cidadão de Salvador colocar esses caras na grade”, afirmou.
Érico também criticou a falta de representatividade negra na música sertaneja e acusou o gênero de ser marcado pelo racismo.
“A música sertaneja é completamente racista, não tem preto no sertanejo, aí vêm dizer que preto não tem talento? Não tem uma zorra”, declarou.
A insatisfação também está relacionada ao posicionamento político de Jorge, que participou de um encontro de artistas sertanejos em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e manifestou oposição ao PT. A repercussão provocou reações nas redes sociais e o cancelamento de shows da dupla em Recife e Fortaleza.
Para Érico, Salvador deveria seguir o exemplo das duas capitais nordestinas. O ator ainda acusou artistas sertanejos de se beneficiarem de contratos públicos em diferentes municípios.
“Esses caras são uns verdadeiros mamadores do dinheiro público nas prefeituras do Brasil afora”, disparou.
O artista também anunciou a organização de um movimento popular, com abaixo-assinado, para pressionar a Prefeitura de Salvador a retirar Jorge & Mateus e Zé Neto & Cristiano da programação. Ele pretende questionar outras atrações, entre elas Natanzinho Lima.
Além das críticas políticas, o ator defendeu maior valorização da cultura baiana no Réveillon. Entre os nomes e manifestações que poderiam integrar a programação, citou Pablo, artistas do arrocha, bandas de samba-reggae, Olodum, Ilê Aiyê e Igor Kannário.
“Podem trazer artistas de fora, mas artistas que respeitam a gente. Por que não botaram Igor Kannário, que é um cara que o povo gosta?”, questionou.
Érico afirmou ainda que pretende ampliar o movimento para as festas de São João. Segundo ele, artistas de forró enfrentam dificuldades para conseguir espaço nas programações, enquanto atrações de outros estados recebem contratos.
“A quantidade de artistas de forró que estão passando fome e não têm oportunidade por causa desses caras”, afirmou.
O ator ressaltou que não é contrário à contratação de músicos de outras regiões, mas defendeu que eles respeitem a cultura nordestina e o público baiano.
“Tragam pessoas de fora, mas pessoas que respeitam a gente, respeitam o Nordeste, respeitam o povo baiano e que não sejam usurpadores do dinheiro público”, concluiu.