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ACM Neto entra no radar do STF em investigação sobre o Banco Master

A quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico amplia a pressão sobre o político baiano e expõe novas conexões investigadas pela Polícia Federal.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Da redação do 40 Graus
23/09/2026 às 16h22
ACM Neto entra no radar do STF em investigação sobre o Banco Master

O STF autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ACM Neto no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça e estava sob segredo de Justiça.

A medida veio a público após documento encaminhado ao presidente do Supremo, Edson Fachin, revelando uma nova frente de apuração envolvendo o político baiano.

ACM Neto passou a ser citado no caso após as investigações identificarem pagamentos feitos pelo banco e pela Reag para uma empresa de consultoria ligada a ele.

A investigação ganhou repercussão após uma proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.

Segundo o relato atribuído a Vorcaro, ACM Neto e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, teriam atuado na captação de recursos de institutos de previdência para o banco em troca de 10% dos valores investidos.

Ainda segundo o relato, os negócios poderiam ter criado uma obrigação de até R$ 200 milhões com os dois políticos. Vorcaro, porém, não teria informado quanto foi efetivamente pago.

A proposta de delação acabou rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob a alegação de falta de informações inéditas e de garantias para o ressarcimento dos valores relacionados às fraudes investigadas.

Operação Overclean

A revelação sobre a quebra dos sigilos ocorre enquanto ACM Neto também é citado em outra investigação: a Operação Overclean.

Segundo a PF, foram identificadas 232 chamadas pelo WhatsApp entre ACM Neto e José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.

Moura foi indiciado por corrupção, fraude em licitação e desvio de dinheiro.

Os investigadores também analisaram conversas relacionadas a indicações para cargos públicos. De acordo com a PF, Marcos teria afirmado que precisava consultar ACM Neto antes de definir indicações para a Prefeitura de Belo Horizonte.

A Polícia Federal sustentou ainda que ACM Neto apareceria em uma posição política superior à de Moura dentro da estrutura investigada.

A PF chegou a solicitar busca e apreensão contra o ex-prefeito. O pedido recebeu parecer favorável da PGR, mas foi negado pelo ministro Kassio Nunes Marques, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a diligência.

Histórico de questionamentos

As relações políticas e empresariais de ACM Neto também já foram alvo de questionamentos durante sua administração em Salvador.

Na ocasião, a Folha de S.Paulo publicou informações sobre empresas pertencentes a parentes de integrantes ou aliados de sua gestão que teriam recebido centenas de milhões de reais em contratos municipais.

Com a quebra dos sigilos determinada pelo STF, o caso Master acrescenta uma nova frente às investigações que envolvem o ex-prefeito de Salvador e atual nome do União Brasil na política baiana.

Da redação do 40 Graus.

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