
A apresentação de 326 novos ônibus pela Prefeitura de Salvador, neste sábado (19), foi marcada por uma controvérsia que vai além do transporte público, do ar-condicionado e da tecnologia Euro 6.
Registros feitos durante o evento mostram veículos com o adesivo “equipamento financiado pelo BNDES”. Logo abaixo, porém, uma tarja preta cobre a referência ao Governo Federal.
A identificação retirada aparece justamente em ônibus cuja aquisição foi viabilizada por uma operação de R$ 264 milhões com o BNDES, realizada dentro do Novo PAC e com garantia da União.
Ao todo, a operação federal financiou 226 veículos. Apesar disso, a divulgação oficial da Prefeitura não menciona o Novo PAC, o BNDES nem o Governo Federal.
A omissão ocorre em meio ao calendário eleitoral, a apenas 15 dias das eleições, e reacende o debate sobre a participação de recursos federais nas obras e investimentos apresentados pela administração municipal.
O episódio também traz de volta uma antiga promessa do grupo político liderado por ACM Neto no transporte coletivo de Salvador.
Durante sua gestão, o então prefeito assumiu, na concessão do sistema, o compromisso de colocar mil ônibus com ar-condicionado em circulação até junho de 2022.
A meta, porém, não foi cumprida.
Agora, a climatização volta a ser apresentada como uma conquista da administração municipal, embora parte dos novos veículos tenha sido adquirida com recursos federais por meio do Novo PAC.
A situação coloca em discussão não apenas a chegada dos novos ônibus, mas também a forma como o financiamento público e a participação do Governo Federal são apresentados à população.
Da redação do 40 Graus.