
Duas pinturas sacras produzidas há cerca de 200 anos voltaram ao Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, no Campo das Vertentes, após permanecerem desaparecidas por mais de cinco décadas. As obras, conhecidas como "Duas Telas de Doutores", foram oficialmente entregues à comunidade pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
As telas são atribuídas ao artista Joaquim José da Natividade, um dos principais nomes da pintura sacra mineira entre o fim do século XVIII e o início do século XIX. A recuperação representa um importante avanço na preservação do patrimônio histórico e religioso do município.
A localização das obras ocorreu após uma denúncia recebida pelo MPMG, em abril deste ano, informando que duas pinturas antigas estavam sendo anunciadas à venda em um antiquário de São Paulo. Após análise de especialistas da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), foi confirmada a origem das peças.
Segundo o Ministério Público, durante o furto, ocorrido na década de 1970, as pinturas foram retiradas do teto da Capela-Mor do santuário, separadas em dois quadros e receberam molduras para facilitar a comercialização.
Após ser notificada, a pessoa que estava com as obras aderiu à Campanha Boa Fé e devolveu voluntariamente os bens históricos à comunidade de Ritápolis.
O pároco do santuário, padre Geraldo Sérgio França, destacou que esta é a primeira vez que objetos furtados da igreja são recuperados e devolvidos, encerrando um período de décadas marcado pela ausência de importantes peças do acervo religioso.
A emoção também tomou conta dos moradores. A aposentada Sônia Resende do Amaral, de 77 anos, reconheceu as pinturas antes mesmo da cerimônia de entrega e relembrou a importância delas em sua história.
"Fiz minha primeira comunhão aqui, fui catequista, me casei nessa igreja e me lembro muito bem desses quadros. Eles chamavam a atenção de todos. A volta deles para o santuário era muito importante. Foi uma graça que recebemos", afirmou.
Da Redação...