
A falta de vagas em creches municipais, a deficiência na assistência às crianças atípicas e a ausência de acessibilidade na rede municipal de ensino foram denunciadas nesta quarta-feira (15), durante mais uma edição do Programa de Governo Participativo (PGP), realizada em Cajazeiras, em Salvador.
Presidente da Associação de Mães, Amigos e Pais de Extraordinários (Amape) e mãe atípica, Joseane do Espírito Santo relatou as dificuldades enfrentadas pelas famílias para conseguir atendimento e afirmou que a população tem recorrido aos serviços oferecidos pelo Governo do Estado diante da falta de suporte da administração municipal.
"O governo consegue trazer serviços que a prefeitura não traz. Aqui a gente não tem creche, não tem assistência básica à saúde. As nossas mulheres não conseguem fazer um exame preventivo, que é básico. As nossas crianças não conseguem ter acompanhamento no posto de saúde", afirmou.
A líder comunitária também denunciou a falta de inclusão nas escolas municipais. Segundo ela, durante o período de avaliações, mães de crianças atípicas chegam a ser orientadas a não levar os filhos às unidades por não haver provas adaptadas.
"Em tempo de prova, chega uma mensagem para as mães atípicas dizendo: 'não traga seu filho porque não tem prova adaptada'. Não é essa cidade que a gente quer. Queremos uma cidade inclusiva de verdade para nossos filhos", declarou.
Outro ponto destacado foi a situação da Escola Municipal do Curralinho, prometida pela Prefeitura de Salvador para atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Anunciada há cinco anos, a obra foi interrompida após o pagamento de mais de R$ 12,5 milhões.
Após denúncias da comunidade, a gestão do prefeito Bruno Reis, sucessor de ACM Neto, firmou um novo contrato de R$ 6,75 milhões com a mesma empresa responsável pela obra. Com isso, o investimento previsto ultrapassa R$ 19 milhões, enquanto crianças com TEA continuam sem a unidade prometida.
Da redação do 40 Graus.