
O mercado brasileiro de algodão encerrou a semana com negociações mais seletivas, refletindo a combinação entre demanda interna aquecida e oferta limitada. A postura cautelosa dos produtores reduziu o volume de negócios e manteve os preços firmes nas principais regiões produtoras, mesmo diante da volatilidade do mercado internacional.
De acordo com a Safras Consultoria, os compradores concentraram as negociações em contratos com entrega entre 15 e 30 dias, enquanto os vendedores disponibilizaram apenas volumes pontuais, aguardando melhores oportunidades de comercialização.
Em São Paulo, a indústria pagou cerca de R$ 4,11 por libra-peso da pluma entregue. Já em Rondonópolis (MT), a cotação chegou a R$ 130,57 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 3,95 por libra-peso, registrando alta semanal de R$ 0,51 por arroba.
No mercado externo, as exportações brasileiras começaram julho em ritmo acelerado. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 30,119 mil toneladas da fibra nos seis primeiros dias úteis do mês, gerando receita de US$ 51,241 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume médio diário cresceu 81,5%, enquanto a receita avançou 90,5%.
As perspectivas globais também seguem favoráveis. O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC) projeta que a produção mundial cairá para 25,887 milhões de toneladas na safra 2026/27. Em contrapartida, o consumo deverá aumentar para 25,506 milhões de toneladas, refletindo a recuperação gradual da indústria têxtil.
O ICAC também estima crescimento do comércio internacional e dos estoques mundiais na próxima temporada. Apesar do aumento das reservas, a redução da produção e a demanda mais forte devem manter o mercado atento à evolução da oferta global.
No Brasil, o cenário permanece positivo para os produtores. A combinação de demanda consistente, exportações aquecidas e oferta restrita continua sustentando o mercado, embora fatores como câmbio, logística e oscilações das cotações internacionais ainda possam influenciar o ritmo das negociações nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio.