
Um levantamento realizado pelo Projeto Brief apontou que perfis dedicados exclusivamente a pautas bolsonaristas, com altíssimo volume de postagens diárias, foram responsáveis por impulsionar publicações no X sobre o caso envolvendo a Ypê. Segundo o estudo, cinco dos dez perfis com maior alcance apresentavam comportamento típico de robôs ou contas falsas.
A análise avaliou publicações entre os dias 29 de abril e 13 de maio e constatou características comuns de perfis automatizados, como atividade ininterrupta, com postagens realizadas 24 horas por dia. Além do tema Ypê, essas contas também mantinham histórico de defesa de pautas como anistia aos envolvidos nos atos golpistas, campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e apoio a Israel.
Em nota enviada à coluna da jornalista Mônica Bergamo, a antropóloga especializada em comportamento digital e coordenadora do Projeto Brief, Carolinne Luck, afirmou que a discrepância entre o número de menções e a quantidade de contas envolvidas chamou atenção logo no início da investigação.
“Aquilo que parecia uma onda espontânea começou a ganhar contornos de uma operação coordenada”, declarou.
De acordo com o levantamento, o crescimento das menções ao termo “Ypê” não refletia um movimento orgânico da opinião pública. Na semana anterior à explosão da polêmica, o termo havia sido citado 2.446 vezes na internet. Poucos dias depois, o volume ultrapassou 600 mil menções.
A coordenadora do estudo avalia que a intensificação das publicações ocorreu em um momento próximo à divulgação de áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro, nos quais ele pedia dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Para Luck, o cenário reforça a hipótese de “uma narrativa fabricada e amplificada artificialmente para deslocar o centro do debate público”.
Da Redação...