A sessão da Câmara Municipal de Barreiras, realizada na segunda-feira, 13 de abril, foi marcada por um tema recorrente e já conhecido da população: a crise no transporte público. Entre discursos, justificativas e cobranças, o problema ganhou contornos de debate geopolítico — ainda que os ônibus continuassem circulando (ou deixando de circular), pelas ruas da cidade.
O líder do governo na Câmara, o vereador Hipólito dos Passos de Deus, atribuiu parte significativa da crise ao aumento do preço do petróleo no cenário internacional. Em sua análise, a guerra entre Estados Unidos e Irã - que é aque está acontecendo - teria impactado diretamente os custos do transporte local. “Eu penso que os problemas que acontecem lá fora refletem aqui" — afirmou, em tom didático. Ele também fez questão de isentar o prefeito Antoniel, destacando que o gestor municipal não tem controle sobre crises globais ou sobre o preço dos combustíveis.
A explicação, no entanto, não passou sem contestação. O vereador João Felipe de Melo Lacerda - não se segurou - e rebateu prontamente Hipólito - num aparte concedido por Dra. Graça - trazendo o debate de volta ao chão — ou melhor, ao asfalto barreirense. Segundo ele, nem todos os problemas podem ser explicados por fatores externos - Sua fala: “O ônibus que pegou fogo no meio da cidade não incendiou por causa do preço do petróleo”, ironizou, sugerindo que há falhas estruturais e históricas no sistema de transporte público do município.

O embate entre os dois parlamentares evidenciou uma divergência clara, uma polarização na Câmara, de um lado, a tentativa de contextualizar a crise dentro de um cenário global; de outro, a cobrança por responsabilidades e soluções locais. Enquanto isso, a população segue lidando com a redução de linhas, tanto na zona urbana quanto na zona rural.
O vereador Hipólito até que adotou um tom conciliador, defendendo a união de forças entre o Legislativo, o Executivo e a empresa responsável pelo serviço, a Viação Cidade de Barreiras. Para ele, o momento exige menos justificativas e mais ação - “O que não pode é regredir” - afirmou, resumindo o sentimento de muitos usuários do sistema.
A empresa, por sua vez, sustenta que o aumento da tarifa e as dificuldades operacionais estão diretamente ligados à elevação dos custos, especialmente dos combustíveis. Argumento que, ao que tudo indica, ainda terá muitos capítulos pela frente — assim como a própria crise.
Enquanto isso, moradores do chamado cinturão verde, presentes na sessão, assistiam atentos ao debate, possivelmente esperando que, entre uma explicação internacional e outra, surja também uma solução que pare no ponto — e não no discurso.
Da Redação...

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