Com o encerramento da janela partidária no último dia 4 de abril, o cenário político baiano passou por uma ampla reorganização. Deputados estaduais e federais aproveitaram o período permitido pela legislação eleitoral para trocar de legenda sem risco de perda de mandato, em um movimento que alterou o equilíbrio de forças entre partidos da base governista e da oposição.
Na Bahia, o troca-troca foi numeroso e simbólico. O principal impacto ocorreu na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), onde 21 dos 63 deputados estaduais mudaram de partido durante o período de um mês. O número representa cerca de 33% da composição da Casa.
Com a nova configuração, PT e PSD passaram a dividir a liderança da Alba, com dez deputados cada. O União Brasil, que tinha nove parlamentares, caiu para oito cadeiras. Já o Avante protagonizou uma das maiores ascensões e saltou de um para seis deputados estaduais.
PV e PL aparecem agora com cinco parlamentares cada. PP e PCdoB ficaram com quatro cadeiras, enquanto Republicanos e PDT contam com três deputados. MDB, PSDB e PSB ficaram com duas cadeiras cada. Psol e PRD completam o quadro com um representante.
O Avante foi o partido que mais chamou atenção durante a janela partidária. Sob o comando do ex-deputado federal Ronaldo Carletto na Bahia, a legenda atraiu nomes como Binho Galinha, ex-PRD; Felipe Duarte, ex-PP; Laerte do Vando, ex-Podemos; Luciano Araújo, ex-Solidariedade; Soane Galvão, ex-PSB; e Vítor Azevedo, ex-PL.
Com as novas filiações, o Avante consolidou sua posição como uma força relevante dentro da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O Republicanos também ampliou sua influência no estado, tanto na Alba quanto no Congresso Nacional e na Câmara de Vereadores de Salvador. Antes mesmo da abertura da janela, o partido já havia recebido o senador Angelo Coronel.
Durante o período de trocas, a legenda passou a abrigar também os filhos do senador: o deputado federal Diego Coronel e o deputado estadual Angelo Coronel Filho, ambos ex-filiados ao PSD.
Além deles, ingressaram no Republicanos o deputado federal Leo Prates e a vereadora Roberta Caires, ambos oriundos do PDT. Com isso, o partido ampliou sua força política e se posiciona como peça importante para as disputas eleitorais deste ano.
Entre os partidos que mais perderam quadros, o União Brasil viu sua bancada na Alba encolher. Marcelinho Veiga deixou a legenda rumo ao PP, assim como Emerson Penalva, que saiu do PDT para ingressar no partido. Em contrapartida, Cafu Barreto trocou o PSD pelo União Brasil.
O PP também sofreu baixas importantes. Além da saída de Felipe Duarte para o Avante, deixaram a sigla Niltinho, agora no PSD, e os deputados Antônio Henrique Júnior e Eduardo Salles, que migraram para o PV.
O PDT foi outro partido fortemente atingido. Além de perder Leo Prates, Emerson Penalva e Roberta Caires, a legenda também registrou a saída dos vereadores de Salvador Débora Santana e Anderson Ninho.
Por outro lado, o PDT recebeu Pancadinha, ex-Solidariedade, e Raimundinho da JR, ex-PL.
Já o PSB perdeu três deputados estaduais: Fabíola Mansur, que foi para o PV; Soane Galvão, agora no Avante; e Ângelo Almeida, que se filiou ao PT.
O Podemos também saiu enfraquecido. Laerte do Vando trocou a legenda pelo Avante, enquanto o deputado federal Raimundo Costa ingressou no PSD.
Entre as mudanças mais comentadas está a filiação do deputado estadual Binho Galinha ao Avante. Preso desde outubro do ano passado, o parlamentar deixou o PRD após um processo de afastamento interno da legenda.
Sem condenação definitiva, Binho mantém o mandato na Alba e poderá disputar a reeleição pelo novo partido.
Ele é investigado por supostamente liderar uma organização criminosa com atuação em Feira de Santana. Segundo as investigações, o grupo estaria envolvido com lavagem de dinheiro, jogo do bicho, agiotagem, extorsão e receptação de mercadorias roubadas, no âmbito das operações El Patrón e Estado Anômico.
Algumas mudanças tiveram peso simbólico e ultrapassaram a lógica eleitoral.
No PV, chamou atenção a chegada de deputados ligados ao agronegócio, setor historicamente distante das pautas ambientais defendidas pela legenda. É o caso de Eduardo Salles e Antônio Henrique Júnior, ambos oriundos do PP.
Outra ruptura marcante foi a saída da ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, do PT. Após décadas na legenda, ela se filiou ao MDB.
Também chamou atenção a decisão de Geraldo Simões, ex-prefeito de Itabuna e um dos fundadores do PT na Bahia, de deixar o partido após 46 anos para ingressar no Psol. A intenção inicial é disputar uma vaga de deputado federal pela nova sigla.
O cenário baiano segue uma tendência observada em todo o país. Durante a janela partidária, foram registradas ao menos 120 movimentações entre os 513 deputados federais, o equivalente a cerca de 23% da Câmara dos Deputados.
O PL foi o principal destino dos parlamentares e consolidou sua posição como maior bancada da Câmara, ultrapassando a marca de 100 deputados.
O PT manteve estabilidade e segue como a segunda maior bancada, com 67 deputados federais, apesar de perdas simbólicas como a saída da deputada federal Luizianne Lins, do Ceará.
Já o União Brasil foi o partido que mais perdeu parlamentares no cenário nacional. Ao todo, 28 deputados deixaram a sigla. Apesar disso, a legenda conseguiu amenizar as perdas ao atrair 21 novos nomes, encerrando o período com 51 deputados federais.
A janela partidária é o período previsto na legislação eleitoral que permite aos parlamentares trocar de partido sem perder o mandato por infidelidade partidária.
Fora desse intervalo, a regra geral estabelece que o mandato pertence ao partido, e não ao político eleito, o que pode resultar em perda do cargo em caso de mudança de legenda.
O mecanismo foi criado para dar flexibilidade aos parlamentares em anos eleitorais, permitindo a reorganização de bancadas e alianças políticas.
A janela dura um mês, é aberta no início de março e encerrada no começo de abril, sempre seis meses antes das eleições.
Da Redação do 40 Graus.
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