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Economia Trabalho Escravo

MTE atualiza “Lista Suja” do trabalho escravo com 159 empregadores

O cadastro inclui o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD - a Bahia aparece entre os estados com mais registros.

07/04/2026 10h46
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1
MTE atualiza “Lista Suja” do trabalho escravo com 159 empregadores

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, na noite de segunda-feira (6), a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”.

A nova versão reúne 159 empregadores, sendo 101 pessoas físicas e 58 pessoas jurídicas. O número representa um aumento de 20% em relação à atualização anterior.

Entre os nomes incluídos na relação estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, responsável pela implantação de uma unidade para fabricação de carros elétricos e híbridos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.

Caso BYD envolve resgate de trabalhadores chineses

A BYD foi incluída no cadastro após o resgate de trabalhadores chineses, em dezembro de 2024, durante a construção da fábrica da empresa em Camaçari.

Ao todo, 220 trabalhadores haviam sido contratados para atuar na obra. Segundo as investigações, eles foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene, além de serem vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local.

As autoridades também apontaram que os passaportes dos trabalhadores eram retidos e que os contratos continham cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

Um dos trabalhadores ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) relatou que sofreu um acidente com uma serra devido ao cansaço provocado pela falta de folgas.

O MPT-BA também informou que os trabalhadores entraram no país de forma irregular, utilizando vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra.

Na época, a BYD declarou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda havia cometido irregularidades e informou que decidiu encerrar o contrato com a empresa.

No fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho fechou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora chinesa e duas empreiteiras, após ajuizar ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.

Amado Batista contesta inclusão na lista

No caso do cantor Amado Batista, foram registradas duas autuações em propriedades rurais localizadas em Goianápolis, no interior de Goiás.

Uma das ocorrências envolve o Sítio Esperança, onde foram encontrados dez trabalhadores. A outra ocorreu no Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Os casos foram registrados em 2024.

Em nota enviada à imprensa, a assessoria do artista afirmou que são “completamente falsas e inverídicas” as informações sobre o suposto resgate de 14 trabalhadores em propriedades ligadas ao cantor.

Minas Gerais lidera número de inclusões

De acordo com a Auditoria Fiscal do Trabalho, os casos registrados nesta atualização da “Lista Suja” ocorreram entre 2020 e 2025.

Ao todo, 1.530 trabalhadores foram resgatados de situações de exploração.

Os estados com maior número de inclusões foram:

  • Minas Gerais: 33 casos;

  • São Paulo: 19 casos;

  • Mato Grosso do Sul: 13 casos;

  • Bahia: 12 casos.

Pecuária e serviços domésticos lideram ocorrências

Entre as atividades econômicas com maior número de casos, destacam-se:

  • Criação de bovinos para corte: 20 casos;

  • Serviços domésticos: 15 casos;

  • Cultivo de café: 9 casos;

  • Construção civil: 8 casos.

Segundo o levantamento, 16% das inclusões estão relacionadas a atividades econômicas do meio urbano.

Objetivo da “Lista Suja”

A “Lista Suja” é publicada semestralmente e tem como objetivo dar transparência aos resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo.

As operações envolvem a atuação de diversos órgãos, entre eles a Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, em alguns casos, outras forças policiais.

Da redação do 40 Graus.

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