
O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso na manhã de quarta-feira (18), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, após cerca de um mês de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. Ele é suspeito de matar a companheira, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, no apartamento onde morava com o investigado, na região central da capital paulista. Inicialmente tratado como suicídio, o caso teve essa hipótese descartada ao longo das apurações.
Com o avanço das investigações, Geraldo Neto foi indiciado pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
A reviravolta no caso foi sustentada por um conjunto de mais de 20 laudos elaborados pela Polícia Técnico-Científica em menos de um mês. Os exames periciais apontaram inconsistências na versão inicial e reforçaram a conclusão de que a policial foi vítima de homicídio.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) revelou que o disparo atravessou a cabeça da vítima em trajetória inclinada, de baixo para cima. Segundo os peritos, o tiro entrou pelo lado direito, próximo à têmpora, e seguiu em direção ascendente até causar uma extensa lesão na parte superior esquerda do crânio, provocando fraturas e destruição significativa do tecido cerebral.
A causa da morte foi definida como traumatismo cranioencefálico grave provocado por disparo de arma de fogo.
Outro elemento relevante apontado pela perícia foi que o tiro foi efetuado com a arma encostada na cabeça da vítima, evidenciado pela presença de fuligem e pelos efeitos dos gases da pólvora nos tecidos.
A posição em que o corpo foi encontrado também levantou suspeitas. Gisele estava caída e ainda segurava firmemente a arma, o que, segundo especialistas, não é comum em casos de suicídio com arma de fogo.
Um sargento do Corpo de Bombeiros que atendeu a ocorrência relatou ter estranhado a cena e chegou a fotografá-la antes de iniciar o socorro. Com 15 anos de experiência, ele afirmou nunca ter visto uma vítima de suposto suicídio ainda segurando a arma dessa forma. O depoimento foi incluído no inquérito.
Outro ponto destacado pela investigação foi a ausência do cartucho da arma no local. Segundo os investigadores, esse vestígio poderia ser fundamental para esclarecer a dinâmica do disparo, incluindo a posição de quem atirou.
Para o diretor da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Francisco Helmer, embora não seja impossível que uma pessoa mantenha a arma na mão após um disparo contra si mesma, a situação foge ao padrão mais comum. Segundo ele, em geral, há perda imediata de consciência e relaxamento muscular, o que faz com que o braço e a arma caiam.
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil concluiu que há fortes indícios de que Gisele Alves Santana foi vítima de homicídio, levando à prisão do tenente-coronel e ao avanço do caso na Justiça.
Da Redação.