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Geral Saúde

Jovem denuncia divulgação de resultado positivo para HIV em voz alta dentro de UPA em Ribeirão Preto

Caso teria ocorrido durante atendimento para iniciar protocolo de profilaxia pós-exposição; Secretaria de Saúde abriu processo administrativo e Polícia Civil investiga possível violação de sigilo médico.

14/03/2026 20h44
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Portal Meio Norte
Jovem denuncia divulgação de resultado positivo para HIV em voz alta dentro de UPA em Ribeirão Preto

Um jovem de 23 anos registrou um boletim de ocorrência após afirmar que teve o resultado positivo para HIV divulgado em voz alta por profissionais de saúde dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O caso teria ocorrido na última segunda-feira (9), na UPA Oeste de Ribeirão Preto, localizada no bairro Sumarezinho.

Segundo o registro policial, o paciente procurou a unidade para iniciar o protocolo de Profilaxia Pós-Exposição (PEP) após uma relação sexual com suspeita de transmissão do vírus. O procedimento é uma medida de urgência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (Sistema Único de Saúde), indicada para prevenir HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis. O tratamento deve ser iniciado em até 72 horas após a possível exposição e tem duração de 28 dias.

De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem passou pela triagem e teve a pressão arterial considerada alta, sendo classificado como atendimento prioritário. Mesmo assim, ele relata que aguardou por horas até ser atendido e chegou a ameaçar acionar a Polícia Militar do Estado de São Paulo devido à demora.

Após iniciar o protocolo e realizar a coleta de sangue, o paciente afirma que uma médica informou em voz alta que o teste para HIV havia dado positivo. Minutos depois, segundo o relato, uma enfermeira teria confirmado novamente os dois exames reagentes, também sem preservar o sigilo e diante de outras pessoas que estavam no local.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, o jovem tentou obter o exame diretamente com a médica responsável pelo atendimento, mas a profissional teria se recusado a entregar o documento. O resultado só foi conseguido posteriormente em outro setor da própria unidade.

Investigação

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado inicialmente como difamação no 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto. Posteriormente, a investigação passou a considerar os crimes de injúria racial — equiparada ao crime de homofobia — e violação de sigilo médico. A vítima foi orientada sobre os prazos para formalizar a representação criminal.

A advogada do paciente, Julia Gobi Turin, afirmou que a conduta relatada pode representar uma grave violação das normas éticas da área da saúde. Segundo ela, a resolução nº 2.437/2025 do Conselho Federal de Medicina determina que o diagnóstico deve ser comunicado ao paciente com acolhimento, humanização e garantia de sigilo absoluto.

Medidas administrativas

A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto informou que abriu um processo administrativo para apurar o caso. Uma funcionária da unidade foi afastada das funções até a conclusão da investigação.

Em nota, a pasta acrescentou que a Fundação Hospital Santa Lydia, responsável pela gestão das UPAs do município, instaurou um procedimento interno para investigar o ocorrido.

“Sitações dessa natureza são tratadas com absoluta seriedade, especialmente por envolverem sigilo e respeito à privacidade do paciente”, informou a Secretaria de Saúde em comunicado oficial.

Fonte: Redação do 40 Graus.

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