Um jovem de 23 anos registrou um boletim de ocorrência após afirmar que teve o resultado positivo para HIV divulgado em voz alta por profissionais de saúde dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O caso teria ocorrido na última segunda-feira (9), na UPA Oeste de Ribeirão Preto, localizada no bairro Sumarezinho.
Segundo o registro policial, o paciente procurou a unidade para iniciar o protocolo de Profilaxia Pós-Exposição (PEP) após uma relação sexual com suspeita de transmissão do vírus. O procedimento é uma medida de urgência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (Sistema Único de Saúde), indicada para prevenir HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis. O tratamento deve ser iniciado em até 72 horas após a possível exposição e tem duração de 28 dias.
De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem passou pela triagem e teve a pressão arterial considerada alta, sendo classificado como atendimento prioritário. Mesmo assim, ele relata que aguardou por horas até ser atendido e chegou a ameaçar acionar a Polícia Militar do Estado de São Paulo devido à demora.
Após iniciar o protocolo e realizar a coleta de sangue, o paciente afirma que uma médica informou em voz alta que o teste para HIV havia dado positivo. Minutos depois, segundo o relato, uma enfermeira teria confirmado novamente os dois exames reagentes, também sem preservar o sigilo e diante de outras pessoas que estavam no local.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, o jovem tentou obter o exame diretamente com a médica responsável pelo atendimento, mas a profissional teria se recusado a entregar o documento. O resultado só foi conseguido posteriormente em outro setor da própria unidade.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado inicialmente como difamação no 3º Distrito Policial de Ribeirão Preto. Posteriormente, a investigação passou a considerar os crimes de injúria racial — equiparada ao crime de homofobia — e violação de sigilo médico. A vítima foi orientada sobre os prazos para formalizar a representação criminal.
A advogada do paciente, Julia Gobi Turin, afirmou que a conduta relatada pode representar uma grave violação das normas éticas da área da saúde. Segundo ela, a resolução nº 2.437/2025 do Conselho Federal de Medicina determina que o diagnóstico deve ser comunicado ao paciente com acolhimento, humanização e garantia de sigilo absoluto.
A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto informou que abriu um processo administrativo para apurar o caso. Uma funcionária da unidade foi afastada das funções até a conclusão da investigação.
Em nota, a pasta acrescentou que a Fundação Hospital Santa Lydia, responsável pela gestão das UPAs do município, instaurou um procedimento interno para investigar o ocorrido.
“Sitações dessa natureza são tratadas com absoluta seriedade, especialmente por envolverem sigilo e respeito à privacidade do paciente”, informou a Secretaria de Saúde em comunicado oficial.
Fonte: Redação do 40 Graus.
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