O jornalista maranhense Luiz Pablo Almeida optou por permanecer em silêncio durante depoimento prestado à Polícia Federal (PF), nesta sexta-feira (13). Ele é investigado por suposto crime de perseguição após publicar reportagens envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
Durante a oitiva, conduzida pelo delegado da PF Antonio Carlos Knoll de Carvalho, Pablo foi informado de que, na condição de jornalista, possui o direito constitucional de preservar o sigilo da fonte, além do direito de permanecer em silêncio, por estar sendo ouvido na condição de investigado.
Trecho do depoimento registra que o jornalista foi questionado se pretendia exercer esse direito. Em resposta, afirmou que optaria por não responder às perguntas sobre os fatos investigados.
“Informado de que, na qualidade de jornalista, tem o direito constitucional de preservação do sigilo da fonte, bem como de que está sendo inquirido na qualidade de investigado, podendo ao final ser acusado do crime de perseguição, tipificado no art. 147-A do Código Penal, tendo, portanto, direito de permanecer em silêncio… respondeu que "pretendia permanecer em silêncio”, diz parte do documento do depoimento.
A investigação ganhou força após Luiz Pablo Almeida ser alvo de mandado de busca e apreensão três dias antes do depoimento.
A medida foi autorizada depois que o jornalista publicou reportagens sobre suposto uso irregular de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), por familiares do ministro Flávio Dino.
O caso teve início após o próprio Flávio Dino acionar a Polícia Federal para apurar a divulgação das informações. O processo foi inicialmente distribuído ao ministro Cristiano Zanin, do STF, que decidiu encaminhar o caso ao ministro Alexandre de Moraes.
Zanin entendeu que a denúncia poderia ter relação com o Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 para investigar ataques e disseminação de informações falsas contra ministros da Suprema Corte.
Apesar de Alexandre de Moraes ter mencionado essa possível ligação no despacho que autorizou a operação contra o jornalista, o STF informou que o procedimento que investiga Luiz Pablo Almeida tramita separadamente do Inquérito das Fake News.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), também se manifestou a favor da operação, afirmando haver “fortes elementos” que indicariam obtenção ilícita de informações reservadas relacionadas ao ministro Flávio Dino.
O delegado Antonio Carlos Knoll de Carvalho, responsável pela oitiva, já atuou em outros inquéritos relatados por Alexandre de Moraes. Em dezembro de 2025, por exemplo, ele solicitou o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro após a descoberta de documentos ligados à suposta trama golpista encontrados em cofres do Palácio da Alvorada.
Além disso, em novembro do mesmo ano, o delegado foi promovido na Polícia Federal ao cargo de chefe da Divisão de Segurança Ativa e Polícia Judiciária, vinculada à Coordenação-Geral de Proteção Preventiva da Diretoria de Proteção à Pessoa da corporação.
Fonte: BNews.
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