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Briga pela vice de Jerônimo ameaça rachar base aliada e reacender aliança MDB–ACM Neto

Cobiça do PSD pelo posto hoje ocupado pelo MDB gera alertas no Palácio de Ondina e pode provocar debandada de aliados rumo à oposição.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1
06/02/2026 às 18h04 Atualizada em 06/02/2026 às 18h59
Briga pela vice de Jerônimo ameaça rachar base aliada e reacender aliança MDB–ACM Neto

A disputa pela vaga de vice-governador na chapa majoritária do PT em 2026 acendeu o sinal de alerta na base aliada do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A possibilidade de o PSD assumir o espaço atualmente ocupado pelo MDB tem sido tratada, nos bastidores, como um risco real de novo rompimento político, com potencial de empurrar o MDB de volta para a oposição e provocar uma debandada em cadeia de aliados hoje alinhados ao Palácio de Ondina.

Em conversas reservadas, líderes governistas afirmam já ter advertido a cúpula petista de que retirar o MDB da vice seria um erro estratégico grave. “Rifar o MDB da vice é colocar em risco o projeto de reeleição de Jerônimo e até a aliança nacional com o presidente Lula”, disse à coluna um influente cardeal da base.

Segundo ele, os irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima, principais caciques do MDB baiano, não aceitariam em hipótese alguma ceder a vaga — especialmente se o beneficiado for o PSD.

Risco de retorno à oposição

Parlamentares próximos ao governador avaliam como equivocada a leitura de que o MDB não teria alternativa fora da base petista. “Há uma certa arrogância em achar que, depois de 2022, os Vieira Lima ficaram sem opção. Isso não é verdade. Lúcio e Geddel poderiam se realinhar a ACM Neto sem qualquer dificuldade, e seriam recebidos de braços abertos”, afirmou um membro do Conselho Político de Jerônimo. “Se isso acontecer, passa uma boiada inteira pela mesma cerca”, completou.

PSD sem justificativa para a vice

Aliados do PT ouvidos pela coluna Metropolítica dizem não enxergar argumentos sólidos para trocar o MDB pelo PSD. Lembram, inclusive, declarações recentes do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, que afirmou não ter interesse na vaga de vice, mas apenas na disputa pelo Senado — cenário que mudou após o rompimento do senador Ângelo Coronel com o PT, motivado justamente pela exclusão da chapa.

Além disso, pesam fatores práticos e simbólicos. MDB e PSD têm o mesmo tempo de TV, já que ambos elegeram 42 deputados federais em 2022. E, na avaliação da base, o atual vice-governador, Geraldo Júnior (MDB), nunca criou dificuldades para o governo. “É até condescendente demais”, resumiu um aliado próximo a Jerônimo.

Contradições internas

Outro ponto citado nos bastidores é a contradição política. O senador Jaques Wagner (PT) já declarou publicamente que quem muda para o lado de ACM Neto “chega laranja e vira bagaço”. “Como explicar que o MDB chegou ‘laranja’ em 2022 e, em 2026, seria tratado como ‘bagaço descartável’?”, questionou um governista.

MDB joga com cautela

Questionado se o MDB deixaria a base caso fosse descartado da chapa, o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima adotou tom cauteloso. Disse que a vaga de vice “jamais esteve em negociação” e negou que o tema tenha sido tratado com o governador. “Almoçamos com Jerônimo e líderes dos partidos aliados, e o foco foi a saída de Ângelo Coronel e como manter o grupo unido e coeso”, afirmou.

Governo tenta conter ruído

Para esfriar a crise, o secretário estadual de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, afirmou publicamente nesta sexta-feira (06), durante evento com a presença do presidente Lula no Parque de Exposições de Salvador, que a vaga de vice “pertence ao MDB”, numa tentativa de colocar a bola no chão e estancar o desgaste.

Sinais da oposição

Enquanto isso, movimentos no campo adversário alimentam especulações. Chamou atenção a presença da empresária Isabela Suarez, presidente da Associação Comercial da Bahia, na comitiva que acompanhou ACM Neto (União Brasil) em visita a Irecê. Em meio à montagem das chapas, a participação gerou ti-ti-ti nos bastidores políticos.

Baixa adesão em Irecê e efeito das emendas

A passagem de ACM Neto por Irecê também foi marcada pela baixa adesão de lideranças locais, segundo adversários do ex-prefeito de Salvador. A explicação estaria na distribuição de emendas parlamentares. Entre 2022 e 2025, seis deputados federais do União Brasil destinaram cerca de R$ 429 milhões para a Bahia, mas apenas R$ 528 mil chegaram a Irecê — o equivalente a 0,12% do total, conforme dados da Controladoria-Geral da União (CGU).

No tabuleiro político baiano, a disputa pela vice vai muito além de um cargo: pode redefinir alianças, reacender antigas parcerias e redesenhar o cenário eleitoral de 2026.

Do 40 Graus.

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