
O mercado físico do boi gordo encerra o mês de janeiro com preços firmes nas principais praças pecuárias do Brasil, superando um início de ano marcado por incertezas. A instabilidade observada nas primeiras semanas foi provocada pelas salvaguardas impostas pela China, que restringiram temporariamente as importações de carne bovina de alguns países, incluindo o Brasil.
Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o setor conseguiu assimilar rapidamente as mudanças e se adaptar à nova estrutura de cotas estabelecida por Pequim. “Após o impacto inicial, o mercado retomou sua trajetória natural de alta, sustentado por uma demanda externa aquecida e pela baixa oferta de gado pronto para abate”, explicou.
Com isso, a consultoria aponta que o boi gordo deve fechar janeiro com cotações firmes em praticamente todo o território nacional, refletindo o equilíbrio entre oferta restrita e procura consistente, sobretudo no mercado internacional.
Levantamentos realizados em 29 de janeiro indicam avanço nos preços médios da arroba a prazo em diversas regiões produtoras. Em São Paulo (Capital), a arroba foi cotada a R$ 330,00, alta de 3,13% frente aos R$ 320,00 registrados em dezembro. Em Goiás (Goiânia), o preço alcançou R$ 315,00/@, com valorização de 0,64%.
Minas Gerais (Uberaba) registrou cotação média de R$ 320,00/@, avanço de 1,59%, enquanto em Mato Grosso do Sul (Dourados) o valor permaneceu estável em R$ 315,00/@. Já em Mato Grosso (Cuiabá), o preço subiu para R$ 310,00/@, alta de 3,33%. Em Rondônia (Vilhena), a arroba seguiu em R$ 280,00, sem variação no período.
No mercado atacadista, janeiro também foi marcado por recuperação nos preços dos principais cortes bovinos. De acordo com Iglesias, houve valorização tanto do dianteiro quanto do traseiro.
O quarto dianteiro foi negociado a R$ 18,00/kg, alta de 3,15% em relação aos R$ 17,45/kg de dezembro. Já o traseiro bovino atingiu R$ 26,00/kg, representando aumento de 2,36% frente aos R$ 25,40/kg do mês anterior.
Esse movimento indica uma recomposição gradual das margens da indústria frigorífica, que vinham pressionadas pela volatilidade das exportações e pelo custo elevado do gado vivo no início do mês.
As exportações de carne bovina seguem como o principal fator de sustentação do mercado em 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil movimentou US$ 1,024 bilhão em embarques de carne fresca, congelada ou refrigerada nos primeiros 16 dias úteis de janeiro.
A média diária de exportações foi de US$ 64,05 milhões, com volume total de 183,78 mil toneladas embarcadas, o equivalente a 11,48 mil toneladas por dia. O preço médio da tonelada atingiu US$ 5.576,80, registrando alta de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Na comparação anual, o valor médio diário exportado cresceu 55,4%, enquanto o volume embarcado avançou 40,1%, reforçando a força da demanda internacional, especialmente da China e de novos mercados asiáticos.
Para fevereiro, a expectativa do mercado é de manutenção dos preços firmes do boi gordo, sustentados por estoques reduzidos e demanda externa consistente. O cenário macroeconômico também segue favorável às exportações, com o câmbio oscilando próximo de R$ 5,00, conforme o Boletim Focus do Banco Central.
As projeções indicam Selic em 9,25% e inflação de 3,8% para 2026, criando um ambiente de maior previsibilidade econômica e fortalecendo o desempenho do agronegócio exportador brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio.