O presidente estadual do PSD na Bahia, o senador Otto Alencar, afirmou neste domingo (1º), que a proposta de neutralidade defendida pelo senador Angelo Coronel (PSD), colocaria o partido em risco político. Em entrevista à Rádio Boa FM 96,1, Otto disse respeitar Coronel, mas ressaltou que não pode submeter a vontade da maioria dos filiados a uma “aventura” política.
A declaração ocorre após Coronel defender a neutralidade do PSD no estado, alegando ter sido excluído da chapa governista e buscando manter a sua candidatura ao Senado sem alinhamento nem ao PT, nem à oposição liderada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). Para Coronel, a neutralidade seria uma forma de preservar espaço político diante da formação de uma chapa “puro-sangue” do PT, com os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner.
Otto foi direto ao rebater a proposta. “Neutralidade seria afundar o partido de uma vez só. Nenhum partido neutro vai para absolutamente lugar nenhum”, afirmou. Segundo ele, o PSD chegou a garantir a Coronel a possibilidade de uma candidatura avulsa ao Senado, desde que mantida a coligação com o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
“Não haveria a menor condição de o partido sair, como se fala na proposta de ‘sair camarão’. Ou seja: lançar candidatos a senador, deputado federal e estadual sem coligar com nenhum candidato a governador, nem com Jerônimo, nem com ACM Neto”, explicou.
O senador ressaltou que nunca tomou qualquer iniciativa para expulsar Coronel do partido. “Eu nunca tomei nenhuma iniciativa de tirá-lo do partido ou defenestrá-lo, como ele falou”, disse, acrescentando que só se manifestará oficialmente caso Coronel concretize sua saída do PSD.
Otto reforçou que a decisão do partido foi construída coletivamente e reflete a vontade da maioria. Segundo ele, o PSD na Bahia já decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Jerônimo Rodrigues. “Não fui eu sozinho. Foram cinco deputados federais: Antônio Brito, Sérgio Brito, Paulo Magalhães, Gabriel Nunes e Charles Fernandes, além de candidatos como Oziel Oliveira e Rose”, afirmou.
Ele também citou o apoio de deputados estaduais e prefeitos. “Dos deputados estaduais, nove, sete já declararam aliança com Jerônimo e Lula. Dos 115 prefeitos consultados, mais de 90% querem permanecer na aliança com o governador. Ontem mesmo o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, me ligou confirmando isso”, relatou.
Para Otto, ignorar esse cenário seria inviável. “Eu não posso decidir o destino de tantos candidatos por causa de uma neutralidade ou para levar o partido a uma aliança com ACM Neto. Não tenho nada pessoal contra ele, mas a decisão de um partido do tamanho do PSD precisa respeitar a maioria dos seus filiados”, declarou.
Ao comentar a relação pessoal com Angelo Coronel, Otto admitiu o impacto emocional da crise. “É muito doloroso viver uma situação dessa com um amigo. No Senado, segui nosso projeto político, alinhado a Lula desde que me elegi. Fui oposição a Michel Temer e a Bolsonaro. Já o senador Angelo Coronel, mais à direita, apoiou o governo Bolsonaro e sempre foi crítico ao governo Lula”, disse.
Por fim, Otto classificou o momento como um dos mais difíceis de sua trajetória política. “Talvez seja o momento mais difícil da minha vida. Não estou decidindo o que eu quero fazer, mas o que a maioria quer que eu faça. Respeito muito o senador Angelo Coronel, um político valoroso e competente. Mas a política, às vezes, une e, por razões diversas, também separa”, concluiu.
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