
Na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o Partido Liberal (PL), convocou seus apoiadores para uma marcha em direção a Brasília, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira. A legenda incentivou a participação com a frase “Esperar em Deus não é esperar parado ou calado”, mobilizando militantes para um ato que rapidamente passou a ser alvo de críticas pela forma como foi conduzido.
A caminhada, realizada ao longo de uma rodovia federal, reuniu pouco mais de 100 participantes e contou com a presença de ao menos 22 parlamentares, segundo publicações nas redes sociais do deputado Gayer. A maioria esmagadora dos nomes confirmados pertence ao PL, reforçando o caráter partidário da mobilização.
Apesar da tentativa de apresentar o ato como manifestação política legítima, a escolha do trajeto em plena rodovia acendeu alertas sobre risco à segurança viária, interferência no tráfego e exposição desnecessária dos próprios participantes e de motoristas.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF), chegou a emitir comunicados de alerta, destacando os perigos da caminhada e a necessidade de preservar a segurança de todos os usuários da via.
Ao completar cerca de 80 quilômetros de percurso, Nikolas Ferreira prestou homenagem ao ex-deputado Daniel Silveira, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Em tom de celebração, Nikolas afirmou que Silveira teria sido preso “por opinião” e criticou a decisão judicial, apesar de se tratar de condenação com sentença transitada em julgado.
Silveira foi condenado em abril de 2022 a oito anos e nove meses de prisão, além do pagamento de multa, após decisão da Suprema Corte.
A homenagem reacendeu debates nas redes sociais e entre especialistas, que questionam a legitimidade de parlamentares eleitos utilizarem mandatos e mobilizações públicas para defender réus já julgados pela mais alta instância do Judiciário brasileiro.
A marcha evidenciou um ponto central das críticas: o foco político adotado pelo PL e seus deputados. Em um país marcado por desafios urgentes — como desemprego, inflação, crise na saúde e educação, além de demandas sociais históricas —, a mobilização concentrou-se quase exclusivamente na defesa de pessoas condenadas pelo STF, ignorando pautas de interesse coletivo.
Além disso, o uso de uma rodovia federal como palco de protesto reforçou a percepção de irresponsabilidade institucional, ao colocar em risco a segurança pública e atrapalhar o direito de ir e vir da população. Para críticos, a marcha simboliza não apenas um protesto político, mas uma tentativa de deslegitimar decisões judiciais definitivas, promovida por parlamentares que deveriam zelar pelo cumprimento da lei e pelo interesse público.
Fonte: Da redação do Brazil Político.
