
Washington, 14 de agosto de 2025 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o tom contra o Brasil ao criticar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que classificou como uma “execução política”. “Eu sou muito bom com pessoas, ele [Bolsonaro] é um homem honesto. Acho que o que eles estão tentando fazer com Bolsonaro é uma execução política. Acho isso terrível”, declarou Trump nesta quinta-feira (14).
A fala ocorre em meio a uma crise diplomática já acirrada, marcada pela imposição de tarifas de até 50 % sobre produtos brasileiros. As medidas, segundo Trump, são uma retaliação ao tratamento dado ao ex-mandatário e a práticas comerciais consideradas injustas pelos EUA.
Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 9 de julho, o líder norte-americano acusou o governo brasileiro de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal contra empresas de redes sociais americanas.
As tarifas impostas pelo governo americano somam uma taxa “recíproca” de 10 % e outra de 40 % decretada sob um “estado de emergência”. Paralelamente, o Escritório do Representante de Comércio (USTR), conduz investigações sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, que podem resultar em novas medidas tarifárias.
O Brasil reagiu levando o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC) e solicitando consultas formais. O Congresso Nacional também aprovou uma Lei de Reciprocidade Comercial, que autoriza a aplicação de tarifas equivalentes às dos EUA.
Analistas alertam que as medidas ameaçam setores-chave da economia brasileira, como café, suco de laranja, carne e indústria aeroespacial, podendo reduzir exportações pela metade, gerar perdas de empregos e desacelerar o crescimento econômico.
No campo político, o embate reforçou a narrativa do presidente Lula, que classificou as tarifas como “chantagem unilateral” e defendeu a soberania nacional.
A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos vive seu pior momento em décadas, com trocas de acusações, sanções e interrupções no diálogo bilateral. Ao mesmo tempo, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, intensifica articulações em Washington para pressionar o governo americano a manter a pressão sobre o Brasil e alertar para possíveis novas sanções caso o cenário não mude.
Da Redação do 40 Graus.