
Em um dos episódios mais insólitos da política recente, um apoiador bolsonarista classificou como “libertadora” a tornozeleira eletrônica colocada no ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu em diversos processos no Brasil.
A declaração, feita em alto e bom som, gerou confusão até entre aliados mais pragmáticos: afinal, desde quando uma tornozeleira — símbolo de vigilância judicial — representa liberdade?
O próprio Bolsonaro parece ter adotado o acessório com certa resignação performática. Durante uma visita ao Congresso Nacional nesta semana, exibiu espontaneamente a tornozeleira como quem mostra uma condecoração de guerra. Não perdeu a chance, claro, de lançar críticas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem responsabiliza pela “humilhação”.
Segundo Bolsonaro, por ser ex-presidente da República, não deveria estar submetido a esse tipo de monitoramento. O argumento parece ignorar que até ex-presidentes podem ser investigados quando deixam rastros jurídicos pelo caminho.
A decisão judicial que determinou o uso da tornozeleira se deu como forma de garantir que Bolsonaro não deixe o país sem prestar contas à Justiça — um cuidado tomado após episódios como a fuga da ex-deputada Carla Zambelli e as recentes movimentações criminosas de seu filho, o também deputado Eduardo Bolsonaro.
A pergunta que não quer calar é: como uma tornozeleira pode ser considerada libertadora, se o impede de sair à noite, viajar sem autorização e até buscar abrigo em embaixadas simpáticas? Seria essa a nova liberdade bolsonarista — vigiada, controlada e com bateria recarregável?
No mundo alternativo onde uma medida cautelar é tratada como troféu, tudo é possível. Só não dá para esquecer que, no fim das contas, a tornozeleira não é símbolo de liberdade — mas sim de um cerco judicial que vai se fechando. - Acorda Bolsonaro!
Por F. Silva/Barreiras 40 Graus.