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Bahia inicia a maior obra de sua história com construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica

Com um investimento de R$ 11,6 bilhões, o empreendimento do Novo PAC promete reduzir distâncias, impulsionar a economia, gerar empregos e beneficiar cerca de 10 milhões de baianos.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Da Redação do 40 Graus
03/07/2026 às 07h54
Bahia inicia a maior obra de sua história com construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica

A Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil, entrou oficialmente na fase de construção nesta quarta-feira (1º). Em Vera Cruz, o governador Jerônimo Rodrigues e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram da cerimônia simbólica de cravação da primeira estaca da obra, considerada estratégica para transformar a mobilidade, fortalecer a integração regional e impulsionar o desenvolvimento econômico da Bahia.

O evento contou ainda com a presença da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e foi marcado pela assinatura de um protocolo de intenções entre os governos federal e estadual, que garante a transferência de recursos da União para os aportes públicos destinados à implantação do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.

Durante a solenidade, o presidente Lula destacou a importância histórica do empreendimento e elogiou a gestão estadual.

"A Bahia tem hoje um governo muito comprometido, que pode entrar para a história por duas razões: a primeira é por ter coragem de realizar a maior ponte da América Latina; a segunda é ter coragem de impedir que a especulação destrua aquilo que vocês querem preservar. O desenvolvimento precisa trazer oportunidade e bem-estar para quem já vive aqui", afirmou.

Com investimento estimado em R$ 11,6 bilhões, a obra integra o Novo PAC e representa um dos maiores investimentos em infraestrutura já realizados na Bahia. A ponte terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, tornando-se a maior ponte da América Latina sobre lâmina d'água.

Além da travessia, o projeto contempla 4,4 quilômetros de novos acessos viários em Salvador, a implantação de uma via expressa de 22 quilômetros na Ilha de Itaparica e a duplicação de oito quilômetros da BA-001, entre Tairu e a Ponte do Funil.

O governador Jerônimo Rodrigues ressaltou os impactos logísticos e econômicos da obra, especialmente para o escoamento da produção do interior do estado.

"Essa ponte é estratégica. Quem vem do Oeste da Bahia, trazendo grãos, algodão e frutas, vai economizar até 200 quilômetros de percurso. Isso significa economia, redução de custos e de tempo para motoristas e caminhoneiros. E essa é uma obra sonhada há muitos anos. A partir de hoje, damos visibilidade ao seu início", declarou.

A expectativa é que o sistema viário aproxime Salvador, a Ilha de Itaparica, o Baixo Sul e outras regiões do estado, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento de pessoas e mercadorias, ampliando a competitividade logística e estimulando novos investimentos.

Segundo o secretário extraordinário do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, Mateus da Cunha Dias, cerca de 250 municípios serão beneficiados diretamente com a redução no tempo de viagem.

"A Ilha de Itaparica será transformada em um novo eixo de expansão urbana da Região Metropolitana de Salvador. A estimativa é de que os percursos entre a Região Metropolitana de Salvador e pelo menos 250 municípios tenham redução no tempo de deslocamento, beneficiando aproximadamente 10 milhões de pessoas", destacou.

Tecnologia inédita na América Latina

A construção da ponte utilizará, pela primeira vez na América Latina, a Plataforma Linear Provisória (PLP), tecnologia desenvolvida por empresas chinesas para aumentar a eficiência, a segurança e a sustentabilidade de grandes obras sobre a água.

A estrutura funcionará como um corredor elevado para o transporte de trabalhadores, equipamentos e materiais durante toda a execução da obra, permitindo maior produtividade e reduzindo os impactos provocados pelas variações de maré e pelas condições climáticas.

De acordo com o projeto, a tecnologia também reduzirá em cerca de 70% a necessidade de embarcações de apoio, preservando os canais de navegação utilizados por pescadores e embarcações de grande porte.

Geração de empregos e qualificação profissional

Para ampliar a participação da população baiana nas oportunidades geradas pelo empreendimento, o Governo da Bahia disponibilizará 1,4 mil vagas de qualificação profissional, distribuídas em 100 turmas por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). A iniciativa prioriza povos e comunidades tradicionais e complementa a oferta de vagas intermediadas pelo SineBahia para funções ligadas à construção da ponte.

Nesta etapa inicial, aproximadamente 300 trabalhadores atuam nos três canteiros de obras. Até o momento, já foram empregadas cerca de 4,7 mil toneladas de estruturas metálicas, vigas, tubos de aço, vergalhões e chapas.

Em maio deste ano, mais de 800 toneladas de componentes estruturais vindos da China desembarcaram no Porto de Salvador e foram encaminhadas aos canteiros de Vera Cruz e São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe. O empreendimento também utiliza materiais e equipamentos fornecidos por empresas brasileiras.

Parceria público-privada

A construção do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador–Ilha de Itaparica é executada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo da Bahia e a Concessionária Ponte Salvador–Ilha de Itaparica (CPSI), formada pelas empresas chinesas China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC). O Governo Federal, por meio do Novo PAC, participa da viabilização financeira do empreendimento.

O contrato de concessão prevê duração de 35 anos, sendo um ano destinado a estudos e licenciamento, cinco anos para a construção e 29 anos de operação e manutenção da ponte sob responsabilidade da concessionária.

Da redação do 40 Graus.

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