
O Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da soja e do biodiesel deve registrar um crescimento de 10,91% em 2025, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O setor deve alcançar R$ 820,9 bilhões, o equivalente a 21,7% do PIB do agronegócio e 6,4% do PIB total do Brasil.
O avanço será impulsionado por uma safra recorde de 169,7 milhões de toneladas, conforme estimativa da Abiove, e pela implementação da mistura B15 de biodiesel ao diesel, prevista para agosto de 2025.
Processamento agrega mais valor e gera mais empregos
O estudo destaca que o processamento da soja no país gera um valor agregado 4,36 vezes maior do que a exportação do grão in natura. Enquanto a exportação direta gera R$ 2.160 por tonelada, o processamento industrial movimenta R$ 7.269.
Em termos de emprego, o setor empregou 2,44 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 7,46% em relação ao mesmo período de 2024. O processamento industrial gera 21 empregos por mil toneladas de soja, contra 6,4 empregos na produção agrícola — uma diferença de 4,27 vezes.
Segmentos em destaque e renda em alta
A cadeia da soja registrou crescimento em vários segmentos:
Soja (produção): +24,11%
Agrosserviços: +8,24%
Agroindústria: +3,21%
Insumos: +3,17%
Na agroindústria, o maior destaque foi o biodiesel (+5,76%), seguido pelas rações (+2,96%) e pelo esmagamento e refino da soja (+2,87%).
Após três anos de retração, a renda da cadeia produtiva subiu 18,24% em 2025. A soja em grão foi favorecida pela produção e preços, enquanto o biodiesel teve valorização em relação ao óleo de soja, seu principal insumo. O rendimento médio dos trabalhadores do setor ficou estável, em R$ 3.544, com variações salariais entre os segmentos.
Exportações crescem em volume, mas recuam em valor
As exportações da cadeia somaram 27,91 milhões de toneladas no primeiro trimestre, alta de 1,15%. Porém, em valor, houve queda de 11,46%, totalizando US$ 11 bilhões. Os preços médios recuaram para soja em grão (-11,12%) e farelo (-24,85%), enquanto o óleo de soja subiu (+6,93%).
Entre os principais destinos, a China lidera as importações de soja em grão, com alta de 6,7%. A União Europeia e o Sudeste Asiático impulsionaram as compras de farelo, e a Índia respondeu por 67,74% das compras de óleo de soja.
Setor se consolida como pilar do agronegócio
Com crescimento na produção, industrialização, geração de renda e empregos, a cadeia da soja e do biodiesel se fortalece como um dos pilares do agronegócio brasileiro em 2025, mesmo diante de preços internacionais em queda.
Da Redação do 40 Graus.