
São Paulo — 11 jul. 2025.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), protagonizou nesta sexta-feira (10), um pedido inusitado ao Supremo Tribunal Federal (STF): uma autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), viaje aos Estados Unidos com a nobre missão de... conversar com Donald Trump.
Segundo Tarcísio, Bolsonaro seria a única pessoa em condições de dialogar com o presidente norte-americano sobre a sobretaxa de 50% imposta recentemente por Trump contra produtos brasileiros — medida que afeta diretamente setores da indústria e do agronegócio.
O governador afirmou ainda que a liberação do ex-mandatário seria um "gesto de boa vontade" da Suprema Corte brasileira.
A reação dos ministros, porém, não foi das mais simpáticas. De acordo com fontes ligadas ao STF, o pedido foi considerado "completamente fora de propósito". Para os magistrados, qualquer tratativa internacional deve partir da Presidência da República ou do Ministério das Relações Exteriores — órgãos que, diferentemente de Bolsonaro, têm competência legal e institucional para representar o Brasil.
Além disso, paira sobre o pedido uma forte suspeita: a de que o ex-presidente estaria, na verdade, preparando uma fuga do país. Réu por envolvimento em tentativa de golpe de Estado e investigado por outras frentes, Bolsonaro já demonstrou temor de ser preso e, segundo interlocutores, estaria sondando alternativas para escapar da Justiça brasileira.
Os ministros temem que uma viagem com destino a Trump seja, na prática, um voo só de ida — com escala direta no asilo político.
Ainda nesta sexta-feira, Tarcísio se reuniu com o embaixador dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, para discutir os impactos das tarifas impostas por Trump. Após o encontro, o governador declarou: "Vamos abrir diálogo com as empresas paulistas, lastreado em dados e argumentos consolidados, para buscar soluções efetivas. É preciso negociar. Narrativas não resolverão o problema. A responsabilidade é de quem governa".
O problema, talvez, esteja justamente aí. Bolsonaro não governa — e nem representa quem governa. Também não é diplomata, nem possui qualquer cargo público. Pior: é réu no Brasil, com uma ficha que não recomenda nem viagens interestaduais, quanto mais missões diplomáticas internacionais.
Tarcísio, ao que parece, tenta transformar um problema jurídico em uma ação diplomática — ou, quem sabe, garantir um "visto de fuga" com selo de oficialidade.
Da Redação do 40 Graus.