
Apesar de reforçar sua oposição ao projeto de anistia em tramitação na Câmara dos Deputados — por entender que a medida beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e militares envolvidos nos atos antidemocráticos —, a fala da ministra Gleisi Hoffmann foi recebida com desconforto por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo apuração, ao menos três magistrados consideraram que a declaração poderia soar como tentativa de interferência no Judiciário. Um deles chegou a classificar a manifestação como “suicídio político” e alertou que o governo poderá ser responsabilizado por possíveis desdobramentos.
Em resposta, o Palácio do Planalto tentou conter a crise. Assessores afirmaram que Gleisi teria sido mal interpretada e que o presidente Lula não apoia qualquer revisão de penas impostas pelo STF. Interlocutores próximos à ministra atribuíram sua fala a pressões do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A tensão aumentou após o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, anunciar que conseguiu as 257 assinaturas necessárias para que o projeto de anistia tramite em regime de urgência. Caso avance, o texto poderá ser levado diretamente ao plenário, intensificando a pressão sobre o governo.
Diante da repercussão negativa, Gleisi se retratou nas redes sociais. Em nota publicada no X (antigo Twitter), afirmou que o debate sobre a anistia pode e deve ocorrer na sociedade e no Congresso, mas “sem interferir na autonomia do Poder Judiciário”.
Apesar do recuo no tom, Gleisi manteve críticas à proposta de anistia, alegando que ela visa beneficiar os principais articuladores dos ataques golpistas. O episódio evidencia o quão sensível é o tema no governo, que busca equilibrar o respeito às instituições com as articulações políticas no Congresso.
Com informações do Meio Norte.