
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que foi vice-presidente da República durante o governo de Jair Bolsonaro, protagonizou uma troca de acusações com o pastor Silas Malafaia nas redes sociais nesta segunda-feira, 7 de abril.
A briga pública entre os dois aliados de Bolsonaro ocorreu um dia após o ato em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, realizado na avenida Paulista, em São Paulo.
O estopim da controvérsia foi o discurso inflamado de Malafaia no palanque do evento, no domingo, 6. Durante sua fala, o pastor evangélico criticou duramente a cúpula do Exército, chamando os generais de “frouxos”. A declaração foi vista como um ataque direto aos militares de alta patente, o que gerou a reação de Mourão, general da reserva do Exército.
“Ao se aproveitar de um ato em defesa da necessária anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro para ofender os integrantes do Alto Comando do Exército, o falastrão que assim o fez demonstrou sua total falta de escrúpulos e seu desconhecimento do que seja Honra, Dever e Pátria — a tríade que guia os integrantes do Exército de Caxias”, publicou Mourão no X (antigo Twitter).
Malafaia não deixou barato. Também pelas redes sociais, respondeu ao senador com ataques pessoais. Acusou Mourão de não ter sido leal a Bolsonaro e o chamou de “traíra” e “covarde”. “O ministro da Defesa do Lula é mais corajoso que as Forças Armadas”, disparou o pastor, em mais uma crítica ao silêncio dos militares frente às ações do governo petista.
O episódio escancara a crescente fragmentação dentro do campo bolsonarista. Em vez de se unirem em torno de pautas comuns, como a anistia dos presos do 8 de janeiro, figuras proeminentes da direita protagonizam brigas públicas, movidas por disputas de vaidade e diferenças estratégicas.
A falta de unidade entre os principais nomes do bolsonarismo enfraquece a oposição e expõe um movimento cada vez mais desorganizado — e mais preocupado em vencer disputas internas do que em enfrentar seus reais adversários.
Por F. Silva.