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“Até agora, não disse nada, a não ser se vitimar”, diz presidente Lula sobre Bolsonaro

Durante sua última agenda na Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o pedido de anistia de Jair Bolsonaro.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Portal Meio Norte
29/03/2025 às 21h07
“Até agora, não disse nada, a não ser se vitimar”, diz presidente Lula sobre Bolsonaro

Durante a sua última agenda na Ásia, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o pedido de anistia feito pela defesa de Jair Bolsonaro. Lula questionou a estratégia jurídica do ex-presidente, argumentando que o pedido sugere uma admissão de culpa antes mesmo de um julgamento.

"É impressionante que os advogados do cidadão que está pedindo anistia não digam para ele que primeiro eles vão absolvê-lo. Se for absolvido, não precisa de anistia. Mas eles já estão tratando como se ele fosse culpado. Ele não quer nem se defender porque sabe, no subconsciente, que fez todas as bobagens das quais está sendo acusado", declarou Lula.

A fala ocorreu na tarde deste sábado (29), pelo horário local — madrugada no horário de Brasília —, durante uma conversa com a imprensa na conclusão do Seminário Empresarial Brasil-Vietnã. O presidente reforçou que o tema da anistia não é uma prioridade para a sociedade.

"Tenho certeza de que anistia não é um tema principal para ninguém, a não ser para quem está se culpabilizando. Ele deveria estar se defendendo, brigando, dizendo que é inocente e provando isso. Até agora, não disse nada, apenas se vitimiza, como é de costume. Só ele sabe o que fez. Ele que coloque a cabeça no travesseiro e reflita sobre o que está acontecendo", completou.

Lula também negou ter discutido o assunto com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), durante a viagem.

"Você acha que eu iria convidar o presidente da Câmara e o presidente do Senado para discutir, a 11 mil metros de altura, problemas que posso resolver em terra, na minha casa, na casa deles, no Senado ou na Presidência da República? Fiz questão de não discutir nenhum assunto do Brasil com eles. Vamos regressar hoje, e a partir de segunda-feira faremos todas as discussões necessárias", afirmou.

Enquanto isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados foram indiciados pela Justiça por tentativa de golpe de Estado em 2022. A decisão, tomada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), não implica culpa, mas indica que os ministros consideraram haver indícios de crimes na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, Bolsonaro e seus aliados formavam um "núcleo crucial" de uma organização criminosa que buscava subverter a democracia. O ex-presidente nega as acusações e defende publicamente um projeto de anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O projeto, no entanto, enfrenta resistência no Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já declarou que a proposta não é prioridade e indicou que não pretende levá-la adiante.

Com informações do Portal Meio Norte.

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