
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Partido Republicanos e ex-ministro de Jair Bolsonaro, parece viver um dilema entre o discurso e realidade. Durante a Arko Conference, ele criticou o Governo Federal e clamou pela pacificação do país. A questão que se impõe é: pacificação de quê e para quem mesmo?
O Brasil, ao contrário do que insinua Tarcísio, está muito mais pacificado hoje do que no período bolsonarista, quando o ódio político era inflamado diariamente. O ex-presidente e seus aliados adotaram uma retórica agressiva e divisionista, atacando a imprensa, o Judiciário, mulheres e opositores.
A política armamentista incentivada por Bolsonaro resultou em episódios trágicos de violência entre cidadãos de diferentes espectros políticos. Agora, os mesmos que insuflaram esse cenário pedem anistia e reconciliação, tentando fugir das consequências de seus próprios atos.
É curioso notar como o discurso mudou. Durante o governo Bolsonaro, a retórica era de endurecimento: "Quem não quiser ir para a cadeia, que não cometa crimes", dizia o ex-presidente - e ele estava certo! Hoje, Bolsonaro virou réu e, ironicamente, ele e sua base clamam por anistia antes mesmo de seus crimes serem julgados. O desespero é evidente, e tentativas de manobras como um fictício pedido de asilo político para Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos só reforçam o descompasso com a realidade.
O comportamento bolsonarista tornou-se uma verdadeira fábrica de narrativas, que não se sustentam diante dos fatos. Tarcísio, que surfou na onda bolsonarista para se eleger, agora tenta se descolar do extremismo e posar como um estadista moderado. No entanto, seu passado e sua postura ambígua colocam em dúvida sua real intenção. Afinal, será que Tarcísio busca mesmo a pacificação ou apenas quer evitar o desgaste de seu governo que é aliado a um bolsonarismo em ruínas?
O Brasil precisa avançar, e isso só será possível se as instituições forem respeitadas e os crimes devidamente julgados. O Judiciário deve trabalhar livremente, sem pressões ou interferências de quem teme as consequências da lei. Quem não deve, não teme!
Por Navalhada.