Braga Netto pode ter março turbulento com avanço das investigações sobre tentativa de golpe
O coronel Peregrino, conhecido como “faz tudo” de Braga Netto, é apontado como peça-chave no núcleo de apoio ao general.
Por: F. SilvaFonte: Da Redação do 40 Graus
02/03/2025 às 09h50Atualizada em 02/03/2025 às 10h13
O mês de março promete ser delicado para o ex-ministro da Casa Civil e general da reserva do Exército, Walter Braga Netto. De acordo com informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, os investigadores que apuram a tentativa de golpe de Estado que culminou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 esperam que a análise dos celulares, computadores e documentos apreendidos na residência do coronel da reserva Flávio Peregrino revelem evidências que liguem diretamente Braga Netto às articulações golpistas.
O coronel Peregrino, conhecido como "faz tudo" de Braga Netto, é apontado como peça-chave no núcleo de apoio ao general. As investigações da Polícia Federal indicam que Peregrino atuava como elo entre o ex-ministro e outros militares e civis que planejavam a ruptura institucional, sendo responsável por intermediar encontros, repassar mensagens e articular movimentações em nome de Braga Netto.
Material apreendido pode ser decisivo
A apreensão do material ocorreu durante a Operação Tempus Veritatis, deflagrada em fevereiro pela Polícia Federal, que investiga a organização criminosa que teria trabalhado para tentar reverter o resultado das eleições de 2022 e manter Jair Bolsonaro no poder. O conteúdo dos celulares e dos computadores de Peregrino é considerado potencialmente explosivo pelos investigadores, já que ele era um dos poucos de confiança pessoal do general e com acesso direto aos bastidores das operações em curso.
Segundo fontes ligadas ao caso, a expectativa é de que mensagens, áudios e documentos encontrados nos dispositivos de Peregrino possam ser cruzados com depoimentos e provas já colhidas, desmentindo ou confirmando a versão apresentada por Braga Netto nos interrogatórios.
Braga Netto no centro do inquérito
Até agora, Braga Netto tem negado qualquer envolvimento com a tentativa de golpe e com os atos do 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por manifestantes golpistas em Brasília. No entanto, com o avanço da investigação e a revelação de conversas e registros que possam associá-lo diretamente à trama golpista, sua situação pode se agravar juridicamente.
Além de Braga Netto, outros nomes do alto escalão do governo Bolsonaro são alvos da investigação, incluindo o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve seu passaporte apreendido e está proibido de deixar o país.
Próximos passos
As análises do material apreendido seguem em sigilo, mas há previsão de que novas fases da operação sejam desencadeadas ainda em março, com novas oitivas, buscas e, possivelmente, indiciamentos. Dependendo do teor do que for encontrado nos aparelhos de Peregrino, Braga Netto poderá ser convocado para prestar novos esclarecimentos e até se tornar réu.
A situação coloca ainda mais pressão sobre o entorno militar do governo Bolsonaro, já duramente atingido pelas investigações que vêm desvendando a participação de generais, coronéis e outros oficiais da reserva em planos golpistas.
Agora, o cenário é de expectativa em Brasília. Março pode ser o mês que trará respostas definitivas sobre o nível de envolvimento de Braga Netto e se as provas obtidas serão suficientes para levá-lo ao banco dos réus.
Da Redação do 40 Graus.
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